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Crônica

Liberdade

13 de Janeiro de 2018 - 10h13 Corrigir A + A -

Por: Lisiani Rotta - lisirotta@hotmail.com.br

Não há, na minha opinião, palavra mais linda, fator mais importante, condição maior para a felicidade do ser humano. Não acredito em amor sem liberdade, em democracia sem liberdade, em educação sem liberdade. Mas, também não acredito em liberdade sem amor, liberdade sem democracia, liberdade sem educação.

O autoritarismo nos traumatizou de tal forma que nos tornou avessos a tudo o que nos remeta a controle. Palavras como regra e ordem viraram sinônimos de opressão. Apostamos demais no “É proibido proibir” e nos perdemos na permissividade. Esquecemos que o bom senso não vive nas extremidades.

Liberdade é o direito de agir segundo o nosso livre arbítrio, de acordo com a nossa própria vontade, desde que não prejudiquemos o outro. A liberdade é classificada pela Filosofia como a independência do ser humano, o poder de ter autonomia, de se sentir livre, de exercer a própria vontade “dentro dos limites da lei”. Mesmo a liberdade de expressão, que é o direito de cada indivíduo de expressar as suas ideias e opiniões, tem as suas restrições. Não é permitido discriminar pessoas ou grupos específicos através de declarações injuriosas. De acordo com a Ética, a liberdade está vinculada à responsabilidade. Todo o indivíduo tem o direito à liberdade, contanto que não fira a liberdade de ninguém. Podemos dizer então, que liberdade é um bem que nos permite tudo, desde que não atropelemos princípios éticos e legais. Segundo Kant, a liberdade só ocorre através do conhecimento das leis morais. Não se refere apenas à própria vontade. Como se pode ver, já na sua definição a palavra liberdade aponta regras, restrições, limites que não podemos ultrapassar. O conhecimento de tais regras só é possível através da Educação, que é quem vai nos fazer reconhecê-las, valorizá-las e a querer cumpri-las. Só a Educação é capaz civilizar, de desenvolver o senso de coletividade. Portanto, é possível concluir que a liberdade só é legítima se precedida pela Educação. Que o desconhecimento embrutece. Equivoca. Leva a erros como relacionar liberdade à libertinagem. Um grande erro. A liberdade é generosa, capaz de ver o outro, é atrelada a valores morais, respeito, consideração. A libertinagem é egoísta, desrespeitosa, indigna. Ultrapassa limites. Extrapola. Fere a integridade física, emocional ou psicológica de outras pessoas. Libertinagem, ao contrário do que muitos pensam, não se refere apenas ao aspecto sexual. Trata-se do uso equivocado da liberdade. O homem libertino não usa de bom senso. Busca fazer as coisas de acordo com seu bel-prazer, sem se importar com as consequências. Beber e dirigir, por exemplo. Fazer baderna na rua. Depredar o patrimônio público. Depositar lixo em lugar impróprio. A vida em comunidade não é possível sem a existência de regras. Elas existem para facilitar o convívio, para nos proteger de nós mesmos, para nos lembrar que pertencemos a uma tribo. Educar, portanto, é ensinar a olhar ao redor, a reconhecermo-nos como parte de um todo e não como tudo o que importa. Como bem disse Sócrates: “Uma vida não questionada não merece ser vivida”.

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