Estilo
Coluna

Uma história curiosa

Este é o tema da coluna Porto Memória de Guilherme Almeida

23 de Dezembro de 2017 - 08h00 Corrigir A + A -

Por Guilherme Almeida - pesquisador do Almanaque do Bicentenário de Pelotas

No ano de 1932, o escritor porto-alegrense João Moreira da Silva, conhecido pelo seu bom humor, escreveu um curioso texto na revista carioca Para Todos, sob o pseudônimo de Areimor. Em A terra dos gatos, o autor descreve a razão pela qual, naquela data, os pelotenses não tinham mais receio de terem seu sono despertado pelo “róc róc” da “rataria”. Os ratos haviam desaparecido, enquanto sobejavam os gatos.

O motivo, ocorrido anos antes, foi o “estranho caso do Zé do Ó” - um marinheiro português de bom temperamento. Zé do Ó, embora sem as ferramentas linguísticas, se metera a dialogar com um indivíduo vermelho, de olhos azuis e cabelo encarnado, vindo de um iate que chegara há pouco de Pelotas e começara a descarregar. O homem da “terra do rosbife” (inglês) teria surpreendido Zé ao mencionar que, em sua terra, não só comiam gatos, como mencionou a escassez de bichanos para tal, pois que tinha ido buscar no Sul do Brasil e não encontrara. Vislumbrando um nicho de mercado e o lucro fácil, Zé do Ó teve então a ideia de “traficar” carne felina para Pelotas. Passou, pois, a comprar inúmeros gatos, reunindo enorme quantidade de bichanos no convés de sua embarcação.

Numa sexta-feira 13 de sol foi que Zé atracou na Princesa do Sul, em seu iate Feliz Lembrança. Metade da cidade esperava no cais, pois a notícia do curioso carregamento já havia circulado com a rapidez de uma bala. Grande foi a chacota geral, ao saber do propósito de comercializar os gatos a 30 mil réis a cabeça no varejo, e com pequeno desconto no atacado. Muitos foram os comentários jocosos. Apenas à tarde é que apareceram pessoas distintas, dispostas a arrematar meia dúzia de bichanos. Desanimado, Zé do Ó ofereceu-lhes a totalidade da carga, para livrar-se daquela “maldita bicharia” de vez. Negando interesse, os cavalheiros exigiram escolher à vontade sua mercadoria. Aberta a escotilha, os esfomeados gatos, “romperam em borbotão” por sua liberdade. “Foi gato por toda a parte”, em fuga desordenada.

Arruinado pela brincadeira de mau gosto, Zé do Ó viu seu capital esvair-se em quatro patas pelas calhas, buracos, corredores e “até por baixo da saia das mulheres”. De volta ao seu iate, apertando o nariz entre as malcheirosas lembrancinhas deixadas, foi que se deu conta da grande confusão que fizera: “Ah! É isso! É isso mesmo! Era ‘gado’ o que aquele barbas-de-milho queria dizer e entendi ‘gato’. Com um gato morto preciso que me dessem, até miar, para não meter-me com línguas de trapos...”.

imagem - texto 37_

Panorama do Porto, desde o alto da antiga Cervejaria Sul-rio-grandense, vendo-se a antiga Alfândega, a nova Alfândega, armazéns e a praça Domingos Rodrigues - Década de 1940

Você sabia?
►Que o projeto Porto das Artes realizou até novembro 616 ações e contou com a presença de 14.919 participantes nas atividades desenvolvidas junto aos coletivos?
►Que a CMPC Celulose Riograndense tem 809 hortos florestais em 57 municípios gaúchos, totalizando uma área de 324 mil hectares, dos quais 170 mil hectares são plantios florestais e 154 mil hectares são matas nativas (APP + Reserva Legal)?
►Que a indústria gaúcha passou a fazer uso intensivo das hidrovias: 1,5 milhão de toneladas de celulose é transportado anualmente por esse modal, bem como 1,4 milhão de metros cúbicos de toras de eucalipto. Isso representa 33 mil viagens fora das estradas para transporte de toras ao ano e 42 mil viagens fora das estradas para transporte de celulose ao ano.

Comentários Comente

REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados