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Arte em permanente evolução

Ágape chega ao sétimo ano como um dos mais ativos espaços culturais da cidade

02 de Dezembro de 2017 - 12h00 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Variações.  Diferentes segmentos convivem em harmonia na casa. (Foto: Jô Folha - DP)

Variações. Diferentes segmentos convivem em harmonia na casa. (Foto: Jô Folha - DP)

Alteridades, do artista e professor gaúcho Thomas Josué, é a mais nova atração; neste trabalho o artista aborda a eferidade das relações humanas atuais. (Foto: Jô Folha - DP)

Alteridades, do artista e professor gaúcho Thomas Josué, é a mais nova atração; neste trabalho o artista aborda a eferidade das relações humanas atuais. (Foto: Jô Folha - DP)

“Tem gente que nem sabe falar sobre o seu trabalho. Tem 
que ter base” Daniela Meine Arteterapeuta e proprietária (Foto: Jô Folha - DP)

“Tem gente que nem sabe falar sobre o seu trabalho. Tem que ter base” Daniela Meine Arteterapeuta e proprietária (Foto: Jô Folha - DP)

Este ano, o local ofereceu turmas com cursos de Francês e Desenho e Pintura, com o artista visual Jerome Rehel, e pandeiro/percussão com o percussionista Jucá de Leon. 
 (Foto: Jô Folha - DP)

Este ano, o local ofereceu turmas com cursos de Francês e Desenho e Pintura, com o artista visual Jerome Rehel, e pandeiro/percussão com o percussionista Jucá de Leon. (Foto: Jô Folha - DP)

Um dos mais ativos espaços culturais em Pelotas, o Ágape chegou ao sétimo aniversário neste ano. Um marco importante para o empreendimento que, desde que foi inaugurado, mantém-se em processo de renovação. Talvez resida aí o segredo para a bem-sucedida proposta ter se consolidado como galeria de exposições, além de local para cursos e oficinas que vão da arteterapia, passando pela música, até a gastronomia.

A agenda de exposições variada e ininterrupta ao longo do ano é só uma das características da casa criada pela artista plástica e arteterapeuta Daniela Meine, em parceria com o marido Paulo Ben Hur Meine. A iniciativa tem atividades em caráter permanente e só no final de dezembro faz recesso para o período de festas.

Daniela conta que não é fácil manter o local em atividade, adaptações não podem faltar quando se precisa do apoio do público que frequenta o lugar. Não só a forma de administrar o empreendimento foi se alterando, mas também o espaço físico, que nestes sete anos sofreu três reformas e talvez passe por uma outra em 2018.

A casa surgiu para abrigar o trabalho do casal, mas, aos poucos, a arte tomou conta. Já teve galeria nos fundos e show room de vestuário, negócio do marido de Daniela, na frente. “A gente foi adaptando o prédio conforme as necessidades”, conta.

Hoje a sala de exposições ocupa as salas da frente, o que para a proprietária é muito positivo, pois causa impacto em quem entra. “Como temos as lojas (de materiais de artes plásticas e outlet de vestuário) e os cursos, todo mundo passa pela galeria.”

Contemporânea
Alteridades, proposta de Thomas Josué, artista visual e professor e pesquisador na Universidade Federal do Pampa, é a mais nova atração da galeria. O trabalho no qual o artista se apropria da linguagem têxtil para questionar a fluidez social e cultural da sociedade substituiu a coletiva de aquarelas Percurso das águas. Duas atrações com pegada contemporânea.

Sobre a forma de escolha dos artistas para as exposições, Daniela diz que a proposta é apresentar arte contemporânea, mas a galeria não está fechada para um só segmento. “Não posso dizer que só vou expor arte contemporânea. É muito rígido isso.”

A seleção, segundo ela, é quase natural. O que se evita são trabalhos muito simples. “Tem gente que nem sabe falar sobre o seu trabalho. Tem que ter uma base. Por isso eu peço que tragam portfólio e algo escrito sobre a obra. No momento que falo isso já é uma seleção. As pessoas não voltam, não trazem”, diz.

A procura é grande e, segundo Daniela, há artistas que estão há dois anos querendo expor no Ágape. “Se o trabalho tá evoluindo, tá amadurecendo? Bom, de repente é o momento.”

O Bazarte é o momento de abrir espaço para os que estão amadurecendo suas pesquisas poéticas. Na oitava edição, a coletiva de final de ano, calendário fixo da galeria, abre espaço para artistas da região apresentarem obras em dimensões preestabelecidas.

Além de se propor revelar novos talentos, o bazar também tem a intenção de incentivar o espectador a adquirir uma obra, por preços acessíveis. O artista que quiser participar deverá solicitar o regulamento e a ficha de inscrição pelo e-mail agapearte4480@gmail.com.

Encontros e aprendizado
Sem deixar de ser o carro-chefe do espaço, a galeria J.M.Moraes hoje divide a atenção do público com as variadas atividades que o Ágape está oferecendo. São cursos e oficinas que chegaram para enriquecer o trabalho.

Este ano, o local ofereceu turmas com cursos de Francês e Desenho e Pintura, com o artista visual Jerome Rehel, e pandeiro/percussão com o percussionista Jucá de Leon. O ateliê de arte para crianças, um vez por semana, foi retomado pela artista Carla Thiel.

A artista Carla Borin é responsável por outra novidade, turma para adultos acima de 60 anos no Ateliê de Artes, que também tem espaço para adultos e jovens. Por sua vez, a arteterapia fica com Daniela.

Além dos cursos, o Ágape abrigou oficinas de Espanhol intensivo e de danças folclóricas espanholas, com a bailarina María Elvira. A gastronomia ainda foi destaque na casa com workshops de risotos, pães e massas, entre outros, sob a batuta da cozinheira Beatriz Karan.

As oficinas gastronômicas surgiram por acaso. Daniela lembra que queria alguém que se responsabilizasse pelo projeto da casa, o Jantar com Arte. “A Beatriz apareceu com projetos de cursos e jantares.” 

Com experiência em restaurantes, as oficinas de Beatriz foram muito apreciadas e todas tiveram dois encontros para dar vazão à procura. “Foi muito bom, eu vejo que as pessoas que vêm aqui querem um momento de prazer”, fala a proprietária.

As oficinas culinárias renderam ainda dois jantares, o dos Pampas, só com carne de cordeiro, e o do Dia dos Namorados. Por causa desta incursão gastronômica, surgiu também a ideia de se fazerem passeios pela Colônia de Pelotas. Há duas semanas um grupo foi a uma produtora de orgânicos e ao Trilha Jardim. “Convidamos quem frequenta aqui.”

O Ágape também tem servido de sede para eventos e se tornado parceiro em atividades, como a que realizou em parceria com Associação de Arteterapeutas do Rio Grande do Sul (Aatergs), o 1º Seminário de Arte, Arteterapia, Bem-Estar e Saúde.

A arteterapia é outro foco da casa e tem tido boa procura para essa função da arte, que não trata de ensinar, mas de trabalhar questões pessoais por este viés. “Nosso público é de adultos e crianças, algumas vezes indicados por um psicólogo ou psiquiatra.”

E ao falar em público, Daniela avalia que a frequência dos cursos é bem variada. O curso de percussão, por exemplo, atrai desde músicos já experientes a diletantes.

Conservar essa rotatividade de atrações não é fácil, mas é o que mantém o espaço, que só tem uma funcionária. “Os professores não são funcionários da casa e sim parceiros que propuseram as atividades.”

A maior dificuldade para Daniela está na localização do espaço, próximo à Dom Joaquim. Longe da área central da cidade, o local recebe poucas visitas, especialmente de escolas. “Os professores poderiam aproveitar mais as exposições”, diz.

Mesmo assim o Ágape tem se mantido com as próprias finanças, mas já houve tempo em que a proprietária teve de colocar dinheiro próprio no local. Artista do grupo Superfície, junto com as artistas Carla Borin, Carla Thiel, Mariza Fernanda, Natália Hax e Paloma De León, ela diz que tem aprendido a lidar com números. “Eu não sou uma administradora, me tornei”, fala a proprietária que recentemente teve assessoria de um consultor do Sebrae.

Serviço:
O quê: exposição Alteridades, com Thomas Josué

Onde: Ágape - Espaço de Arte, rua Anchieta, 4.480

Visitação: até quinta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 19h; sábados das 12h30min e 18h30min

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