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A humanidade está na Liga da Justiça

Na briga entre a DC e a Marvel no Cinema, quem ganha é o público. Os efeitos especiais cada vez mais disputam a tela com bons roteiros

26 de Novembro de 2017 - 18h30 Corrigir A + A -

Por: Jarbas Tomaschewski
jarbas@diariopopular.com.br 

Batman, Mullher-Maravilha, Ciborg, Flash e Aquaman dão vida ao novo grupo. Com uma superajuda. (Foto: Divulgação - DP)

Batman, Mullher-Maravilha, Ciborg, Flash e Aquaman dão vida ao novo grupo. Com uma superajuda. (Foto: Divulgação - DP)

Os críticos de Cinema se debruçam sobre uma única questão em torno do filme Liga da Justiça, em cartaz desde o último dia 16: se a obra aproxima ou não a DC da Marvel. Para nós, integrantes da geração que corria às bancas todos os meses, voltava para casa com uma revista em quadrinhos (gibi) embaixo do braço, não imaginava a invenção do celular e hoje acompanha o teletransporte do papel para as telas, essa briga é irrelevante. Porém, torcemos para que ela nunca termine, afinal, quanto mais as duas gigantes tentarem superar uma à outra, mais filmes fantásticos chegarão.

No caso de Liga da Justiça, depois de assistir dias antes Thor - Ragnarok, acredito que faltou muito pouco para a DC não apenas se igualar à Marvel (aqui eu caio no discurso dos críticos), mas superá-la na corrida dos super-heróis. E o responsável por isso - eis o grande lance de quem o executou - foi a aproximação de homens e mulheres quase indestrutíveis da nossa frágil condição humana. Uma casca representada pelo medo da morte, da velhice, da solidão, da falta de amor e da violência diária, independentemente de onde você esteja.
A verdade é que os heróis nunca vão conseguir resolver todos os problemas do mundo, e isso, para alguns deles, comprometidos com a causa, é um fardo inaceitável.

Se Liga da Justiça é de tirar o fôlego pelas cenas de batalha, é audaciosa nos diálogos entre os personagens. E o mais impactante deles acontece no meio do filme, quando Batman, o único que nunca contou com superforça, suspenso pelo pescoço, ouve o que nenhuma pessoa deseja ouvir. O machucado que leva para casa é insignificante frente às palavras dirigidas a ele com ódio - e logo por quem. Não, não vou dar spoiler.

É irônico perceber a demora do cinema em dar aos super-heróis defeitos de gente normal e encontrar, aí, a fórmula do sucesso. Antes foi preciso produzir verdadeiros “pastelões”, quase ao estilo das séries dos anos 1960 e 1970, para, então, descobrir que um bom enredo consegue ser tão poderoso quanto efeitos especiais.

A Sétima Arte, assim, percorre o mesmo caminho dos quadrinhos, o berçário desse mundo de fantasia. A ideia não teve um marco de inauguração, mas se tivesse que escolher, ela estaria bem representada por A piada mortal, quando o mundo da DC Comics virou do avesso com o trabalho de Alan Moore e Brian Bolland, e mostrou uma nova estrada a seguir. A clássica história é hoje referência para quem pensa em ficção com doses de mundo real. Pois um herói, afinal, também dorme, engorda, se apaixona, trabalha e pode ser despejado se não pagar o aluguel.

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