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Humor com cara limpa

Diretora Cininha de Paula faz sua estreia no cinema com a comédia nacional Duas de mim

07 de Outubro de 2017 - 16h00 Corrigir A + A -
Diretora optou por uma caracterização mais discreta para as personagens de Thalita Carauta (E) (Foto: Divulgação - DP)

Diretora optou por uma caracterização mais discreta para as personagens de Thalita Carauta (E) (Foto: Divulgação - DP)

Cininha de Paula conta que, desde menina, sempre quis voar na carcunda do vento como Maria, a personagem de A menina e o vento, de Maria Clara Machado. Depois de décadas dirigindo espetáculos teatrais e produções para a TV, acaba de decolar para um novo voo, dessa vez no cinema. A comédia Duas de mim é o seu primeiro filme e conta a história de uma cozinheira batalhadora que ganha ajuda de uma cópia de si mesma. “Revisitei muito a minha própria história”, conta ela em entrevista a seguir.

Diário Popular - O que achou da primeira experiência de direção no cinema depois de tantos anos fazendo teatro e TV?
Cininha de Paula - A gente sempre ouve falar que cinema é para sempre. Agora é que estou dando conta do tamanho disso. Não fiz um filme antes porque achava que não estava preparada. Fui assistente do Daniel Filho em Se eu fosse você 2 e comecei a entender melhor as diferenças entre TV, teatro e cinema. Mas é claro que os mais de 20 anos na TV e 30 no teatro ajudaram. Ainda não sei se acertei, mas tentei fazer Duas de mim de uma forma bem honesta.

DP - Você faz parte de uma família de grandes comediantes (Chico Anysio e Bruno Mazzeo entre eles). Ao estrear no cinema com uma comédia você buscou essas referências e, de alguma forma, revisitou essa história familiar?
CP - Como a personagem principal é uma mulher, acho que revisitei muito a minha própria história. Todos somos Suryellen. Muitas mulheres hoje dão conta de dois empregos e ainda de afazeres domésticos. Já sobre o humor, acho que vem no meu sangue. Fui uma criança que fazia rir querendo ser séria. Minha neta também é assim. Nada é tão engraçado quanto a vida. A graça de Duas de mim está justamente na crônica do cotidiano.

DP - A pegada do filme é diferente da que a Thalita Carauta apresentava no Zorra total, programa que a projetou. Você diria que em Duas de mim ela vai surpreender aqueles que têm como referência do talento dela apenas os personagens da TV?
CP - O Chico Anysio dizia muito uma frase chapliniana: “O humor pode ser tudo, até engraçado”. Acho que não existe um formato de humor, mas um tempo e uma forma de ver a vida. Por isso, a Thalita faz um humor cara limpa no filme, sem muita caracterização. Foi uma opção minha. Não queria maquiagens e figurinos diferentes para as duas Suryellens. A diferença entre elas é justamente a forma de ver a vida. Uma delas é meio tom - meio drama, meio comédia - com a qual as pessoas não estão acostumadas. A outra é comédia. E não é nada fácil transitar entre essas duas personagens no mesmo filme. Chico Anysio também falava muito disso. Dizia que, quando fazia vários personagens ao mesmo tempo, era um ligar e desligar esquizofrênico da própria personalidade. Ele tinha 288 personagens. Sem dúvida, é um aprendizado para quem observa de fora (risos).

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