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Novas águas comunitárias

Festival Cultural da Z-3, marcado para este domingo, celebra união de moradores e visa fomentar trabalho e renda

07 de Outubro de 2017 - 12h00 Corrigir A + A -
Projeto deve inaugurar sede até o fim do ano (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Projeto deve inaugurar sede até o fim do ano (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na força das mulheres, a esperança de dias mais ensolarados para a colônia de pescadores (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na força das mulheres, a esperança de dias mais ensolarados para a colônia de pescadores (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Através de carnês, pessoas têm contribuído para a sequência da iniciativa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Através de carnês, pessoas têm contribuído para a sequência da iniciativa (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Jovens têm recebido oficinas como de muay-thai, ministrada pela academia Motta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Jovens têm recebido oficinas como de muay-thai, ministrada pela academia Motta (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A autogestão como forma de driblar os problemas. Dessa forma trabalha o projeto Comunidade em Rede, iniciativa dos próprios moradores da Colônia Z-3 de Pelotas voltado a apresentar caminhos e prazeres para crianças e adolescentes de região tão distante do Centro quanto rica em gastronomia e arte. Marcado para este domingo (8), a partir das 11h, o Festival Cultural da Z-3 celebra o primeiro ano do trabalho e busca se consolidar como alternativa de renda para os moradores. Nas atrações, desde o samba do Renascença até o bolinho de peixe típico da localidade. A realização é do próprio coletivo junto da Secretaria de Cultura. O Coletivo Ânima, a Casa Las Vulvas e o Sesc são apoiadores.

A ideia é que seja esse um momento para que o pelotense passe o dia na Z-3. Haverá almoço típico com produtos da pesca e, quando o céu escurecer, sessão de cinema. No meio disso tudo, porém, a programação é extensa - até passeio de barco está programado. Atrações artísticas, por exemplo, serão várias, muitas oriundas da própria colônia. É o caso dos corais Feliz Idade e Arte de Ser Feliz, da poeta Adriane Oviedo e dos grupos musicais Banda no Balanço e Dione e Banda. Há também parceiros do Centro que se somam à proposta. Caso do Grupo Renascença, que fará na Z-3 a tradicional roda de samba do Mercado, d’Os Ambientais, do Grupo de Dança da UFPel, da Casa Las Vulvas e da cantora Daniela Brizolara, entre outros.

Artesãs da localidade, Noemi Sabino e Rejane Furtado aprovam a iniciativa. “Estou achando muito interessante. É um modo de gerar renda nesse momento em que a pesca está muito complicada. Tomara que venham cada vez mais pessoas para nos ajudar, comenta a segunda.

De acordo com a assistente social da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Z-3, Vera Garcia, a ideia é que o festival ocorra mensalmente e seja incluído na agenda cultural do município. “Queremos estimular a existência de um coletivo, uma cooperativa dentro da comunidade e abrir a colônia para o restante do município, para que Pelotas nos reconheça pelas coisas boas que temos aqui”, comenta.

União
O Comunidade em Rede é esse coletivo. O projeto surgiu através da necessidade de iniciativas voltadas para a crianças e adolescentes dentro da Z-3, muito por conta do crescente uso de drogas no local. O Diário Popular reportou, em julho de 2016, que o crack, mais barato, havia substituído o álcool na rotina de pescadores, tendo em vista a dura situação vivida por quem depende da pesca para sustentar uma família - o camarão há muito tempo não vem, o bagre não pode ser pescado e o seguro-defeso é pago a fórceps.

Diante da realidade, muitas ações foram tomadas, mas faltava uma maior articulação que as unisse. Os próprios moradores e moradoras, então, com apoio do Ministério Público (MP), passaram a organizar atividades que envolvessem os jovens. A primeira foi a oficina de muay-thai, que completa agora um ano. Duas vezes por semana, a academia Motta se desloca até a Z-3 e ministra aulas da luta para cerca de 25 crianças e adolescentes. Os alunos já participaram de competição em Encruzilhada do Sul, inclusive trazendo medalha no peito quando no retorno.

Mais recentemente teve início uma série de oficinas de audiovisual, através da ONG paulista Celebreiros, com membro estudando na UFPel. Batizada de Jovens Protagonistas, a iniciativa consiste em problematização sobre o lugar em que os alunos vivem para que um roteiro seja elaborado, a filmagem seja executada, e a edição finalize o processo - tudo feito pelos moradores da Z-3. Além das oficinas contínuas, estão também na programação do Comunidade em Redes atividades únicas que abrangem diversos assuntos. Rodas de conversa, por exemplo, abordam desde o empreendedorismo feminino, característica da região, e a memória e a identidade da comunidade.

Em um ano de existência, o Comunidade em Rede começa a mostrar os primeiros resultados. Psicóloga da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Z-3, Maria do Carmo Ledesma conta que professores da Escola Municipal Almirante Raphael Brusque relatam a ela a sensível mudança de comportamento dos alunos que participam das atividades. “E nem mesmo estavam entendendo o porquê de tamanha mudança, somente quando passaram a conhecer o projeto.”

O relato é confirmado pela diretora em exercício da escola, Carmen Carvalho. Ela diz considerar o projeto uma “influência positiva” sobre os alunos. “Passaram a valorizar mais o lugar onde vivem, os costumes e cultura da Z-3”, comenta, destacando ação proposta por alunos em um asilo da cidade. Eles organizaram doação de alimentos e apresentação artística no local.

Pertencimento
De acordo com uma das organizadoras, a estudante Natália Bernardo, além da mudança comportamental dos jovens, esse resgatar o sentimento de pertencimento à comunidade é a mais importante conquista. O sucesso, diz, se deve muito ao fato de os moradores terem abraçado o projeto com vigor e carinho. “Nos mantemos muito por conta dessa união que se formou. Se precisa de material para a oficina de muay-thai, as mulheres se juntam, fazem uma ação, levantam dinheiro e compram. Às vezes as próprias artesãs produzem o que precisa para baratear o custo”, conta, destacando, novamente, a importância da presença feminina no cotidiano da pesca. “Pedimos doações para aqueles que têm condições melhores, como donos de bares e de salgas. Todos contribuíram, ou com dinheiro ou com material”, complementa Veridiane Garcia, também membro do coletivo.

Para o futuro, em parceria com o Sindicato dos Pescadores da Colônia Z-3, pretende-se que o projeto, enfim, tenha uma sede, deixando de realizar encontros, atividades e reuniões de forma itinerante. Será o antigo salão do sindicato, até então abandonado, e a ideia é transformá-lo em verdadeiro centro cultural da comunidade, onde além das oficinas funcionarão exposições fotográficas contando a história da Z-3.

Também é objetivo instalar no local bancas gastronômicas para estimular o comércio do peixe e, por consequência, o turismo no local.

A estimativa é que até o fim o Comunidade em Rede se instale no ambiente. Para tal, entretanto, as participantes pedem a ajuda de toda a cidade para a compra de materiais de construção.

Atrações confirmadas (a partir das 11h)
►Grupo Renascença
►Daniela Brizolara e Dena Vargas
►Os Ambientais
►DJ Cristiano Duarte
►Banda no Balanço
►Grupo de Dança - UFPel
►Dione e Banda
►João Antônio
►Poesias de Adriane Oviedo
►Coral Feliz Idade
►Hugo Miori e Grupo Arte de Ser Feliz
►Artesanato Local
►Passeios de barco
►Sessão de Cinema
►Contação de histórias e jogos para as crianças
►Oficina Las Vulvas

Como você pode ir

Ônibus
A linha Z-3 parte, do Centro, nos seguintes horários: 8h15min, 11h, 13h30min, 15h30min, 17h30min, 19h30min e 21h30min. Da colônia para o Centro, às 14h15min, 15h30min, 16h30min, 17h40min, 18h30min, 19h30min, 20h45min, 22h30min e 23h10min

Carro
Em um trajeto sugerido pelo Google Maps, você pode iniciar pela avenida Bento Gonçalves, pegando na sequência a Juscelino Kubitschek e a Ferreira Viana. Siga até a Adolfo Fetter e dirija em direção ao Balneário dos Prazeres. Chegue até a avenida Amazonas, na sequência virando à esquerda para pegar a avenida Pernambuco. A 6,8 km dobre à direita, a 550 m vire à esquerda, em mais 70 m vire à direita, novamente em 70 m dobre à esquerda. Finalmente em 150 m você chegará à Colônia Z-3. Lá, a organização do festival sinalizará o local até a Praia do Junquinho.

 

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