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Crônica

Temos um pacto

07 de Outubro de 2017 - 06h00 Corrigir A + A -

Por Lisiani Rotta - lisirotta@hotmail.com.br

O trem está passando neste exato momento. É a nossa grande oportunidade. Tudo conspira a nosso favor.

Podemos nos lançar à viagem que pode mudar as nossas vidas para sempre, ou acenar enquanto ele se dirige à próxima estação. O convite é ousado, desafiador. Mudar a realidade. Vencer a violência. Um compromisso que exige persistência, união e esforço conjunto. Um chamamento a cada um de nós, cidadãos cansados do medo, da insegurança, do risco. Não se trata, apenas, de boa vontade ou de esforços isolados contra uma epidemia que se alastra com força e velocidade impressionantes pelo mundo inteiro, mas de uma operação racional e integrada entre comunidade, instituições e poderes. Trata-se de estratégias de ação que permitirão à cidade atuar de forma proativa, suprapartidária e permanente. Trata-se de um projeto baseado em experiências que tiveram sucesso em Nova York, Bogotá, Medellín, Belo Horizonte, Recife, Diadema, Canoas.

Trata-se de um Plano Municipal de Segurança Pública que pode colocar Pelotas na lista acima, como um exemplo de sucesso para o país e para o mundo. Um plano que precisa de mim e de você, leitor, porque a participação da comunidade é imprescindível para o êxito deste projeto. Poucas vezes teremos a chance de atuar de forma tão direta para combater um problema desta gravidade. Eu me perguntava o que eu fazia ali, naquela reunião, entre pessoas como o coronel Lauro Melo que atuou na segurança da Eco 92, em missões no Haiti, na favela da Rocinha. Gilmar Bazanella, coordenador da Aliança Pelotas. Ricardo Ferreira, vice-presidente do Sinduscon. Luís Fernando Parada, presidente do Conssedi, e vários outros nomes importantes da comunidade. Onde eu me encaixava? Ouvia, absolutamente encantada, as palavras de Alberto Kopittke, especialista em Segurança Pública, doutor em Políticas Públicas, sobre o seu sonho de combater a violência através de uma visão humanista e inovadora em segurança. Somos o país que mais perde jovens para a violência no mundo - dizia ele -, Pelotas atingiu níveis alarmantes nos últimos anos. Isso não pode ser tarefa de apenas um partido. Somente unindo forças vamos superar o ódio. Precisamos acreditar que podemos tornar este mundo mais justo, solidário e menos violento. Não podemos ouvir sobre o assassinato de uma menina de cinco anos, de um jovem ou de um policial no cumprimento do seu dever e continuar a vida como se nada tivesse acontecido. Um horror como este deveria parar a cidade. Deveríamos falar sobre isso. Pensar sobre isso. Sofrer por isso. Precisamos nos indignar com isso. E, definitivamente, lutar contra isso.

Estamos dessensibilizados - disse ele. A violência se tornou algo tão comum em nossas vidas, que já a aceitamos como algo banal. Nosso primeiro passo, talvez, seja nos humanizarmos. Não é uma solução nos trancafiarmos no conforto das nossas casas. Em algum momento precisaremos sair. Precisamos reagir de forma inteligente e definitiva. E não apenas por nós mesmos. Talvez seja a hora de olharmos para além de nossos umbigos. Temos uma grande oportunidade à nossa porta. O momento é agora. Os astros estão alinhados. O que eu posso fazer? - continuava eu, a me perguntar, diante das dezenas de sugestões e críticas relevantes que surgiam com facilidade de todos os cantos da sala. Mal sabia eu que já fazia algo importante a respeito. Eu ouvia. Aprendia. Tentava me encaixar. Não sei sobre política, administração ou assistencialismo. Não sou empresária nem ocupo cargos que me deem algum poder sobre o assunto. Não vejo como ajudar de outra forma que não sonhando junto, acreditando, me pondo à disposição de um Plano que me motivou como nenhum outro. Um plano traçado por quem conhece o assunto, por quem o estudou profundamente, se preparou como poucos, se dedicou como ninguém, e conseguiu resultados surpreendentes em lugares bem mais complicados. Não me perdoaria se descobrisse, tarde demais, que podia ter ajudado de alguma forma e não o fiz. Eu me nego a ser apenas mais uma reclamar. Quero somar forças. Não se trata de política, de caridade nem de mais uma campanha destinada a morrer na praia. Trata-se de um projeto sério que exigirá mais do que o esforço das instituições e dos poderes. Está na hora de entendermos o que é cidadania, consciência de coletividade, senso de dever público, vontade real de mudar as coisas. Faça a sua parte! Informe-se! Já temos um Pacto pela Paz. Ajude-o a funcionar. Podemos, sim, vencer a violência, se todos nós quisermos muito isso. #pactopelotaspelapaz

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