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O chamado do monstro

A relação entre um menino e uma criatura assustadora forma a tônica de Sete minutos antes da meia-noite

15 de Julho de 2017 - 20h00 Corrigir A + A -
Temática ousada afugenta plateias mais novas em produção
fantasiosa e surpreendente (Foto: Divulgação - DP)

Temática ousada afugenta plateias mais novas em produção fantasiosa e surpreendente (Foto: Divulgação - DP)

Não confunda o fato do protagonista ser uma criança com a possibilidade de Sete minutos antes da meia-noite ser uma produção infantil. Baseado no best-seller de Patrick Ness, o filme é um drama pesado sobre o amadurecimento do menino Conor O’Malley, que vive duplo sofrimento: na escola, ele sofre bullying dos colegas populares, enquanto em casa sua mãe está cedendo a uma doença terminal.

Certa noite, surge um monstro-árvore em sua janela (no melhor estilo Groot de Guardiões da Galáxia), que promete lhe contar uma história a cada encontro. A criatura adianta que, após três aparições, desejará conhecer o maior pesadelo do garoto.

Cada um dos contos, quando apresentados, toma conta da tela com um belíssimo trabalho em aquarela, funcionando como curtas-metragens dentro do filme. A escolha da específica técnica relaciona-se com o trabalho desenvolvido pelo criativo menino em seu tempo livre. O hábito de desenhar foi apresentado por sua mãe, que aspirava ser artista.

Desta forma, através de um ser gigantesco que aparece toda noite em determinado horário, Sete minutos depois da meia-noite utiliza a fantasia como metáfora para os problemas do mundo real. O título em inglês - A monster call - remete ao verdadeiro propósito da aparição do monstro: ele foi involuntariamente chamado pelo garoto para ajudá-lo em um momento de dificuldade.

O diretor espanhol J. A. Bayona, dos excelentes O orfanato e O impossível, une com destreza o suspense do primeiro com o drama do segundo. A combinação é valorizada pelo novato Lewis MacDougall. Guarde este nome! O jovem assume a responsabilidade de estar presente em todas as cenas do projeto, entregando do início ao fim uma interpretação emocionalmente poderosa.

No mesmo nível encontra-se o trabalho delicado e eficiente de Felicity Jones (Star wars: Rogue one) como a mãe do garoto. Também há destaque para Sigourney Weaver no papel da avó megera e Liam Nesson na dublagem do monstro simpático e, ao mesmo tempo, assustador.

Conforme a intensa jornada de Conor avança por terrenos doloridos, o filme revela sua principal mensagem. Sete minutos depois da meia-noite aborda, através dos olhos de uma criança, a perda, a solidão e o medo. Sentimentos que o menino Conor terá de enfrentar na vida, seguindo em frente sem o conforto das fábulas para atenuar a dura existência.

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