Oficina

Dentro do próprio estilo

Oficina de desenho com o cartunista Rafael Sica se propõe a destravar mãos e ideias

11 de Julho de 2018 - 12h36 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Artista desenvolveu o traço característico ao longo dos anos (Imagem reprodução) (Foto: Paulo Rossi - DP)

Artista desenvolveu o traço característico ao longo dos anos (Imagem reprodução) (Foto: Paulo Rossi - DP)

Nem certo, nem errado, o importante é estar confortável dentro do teu estilo. Sob esta perspectiva se desenvolve a oficina Desenhe errado, que o cartunista Rafael Sica promove neste sábado, no espaço Brisa ArqDesign, em Pelotas. O encontro começa às 14h30min e terá três horas e meia de duração. As inscrições devem ser feitas via e-mail sicarafael@gmail.com até amanhã.

A oficina surge da experiência profissional do próprio Rafael Sica, que construiu um estilo a partir de um traço mais carregado e longe do perfeccionismo realista. O artista conta que aprendeu a desenhar praticando, não procurou uma formação específica para desenvolver um estilo. Somente quando era bem menino frequentou um tradicional curso de desenho em Pelotas, mas por pouco tempo. "Meu desenho sempre foi muito intuitivo", conta.

Mas Sica admite que já brigou muito com o próprio trabalho, porém o fazer lhe deu a noção de que podia desenhar. "Hoje estou satisfeito com o meu desenho do jeito que ele é, não busco melhorar."
A busca atual do artista é se fazer entender. "O meu desenho precisa se encaixar naquilo que quero dizer. Não procuro saber desenhar melhor uma mão ou um cavalo."

Proposta
A oficina se propõe a despertar nos participantes a curiosidade em torno da própria expressão, quebrando aquela barreira que o medo do ridículo produz. O cartunista lembra que a maioria das pessoas deixa de desenhar ainda na infância, especialmente quando começa a ser alfabetizada.

O domínio da linguagem escrita acaba substituindo o desenho, uma maneira mais primitiva de se expressar nos primeiros anos de vida. O artista chama a atenção, ainda, para o fato de que algumas crianças com facilidade para essa técnica acabam, sem querer, intimidando outras. "As pessoas simplesmente param. Acho que é mais uma questão de curiosidade sobre a linguagem do que de talento."

Segundo o artista, não existe certo ou errado nesta arte. O principal é estar confiante da sua forma de expressão, sem se preocupar em atingir a perfeição de uma arte realista.

Na oficina o artista propõe aos participantes uma série de exercícios individuais e coletivos que servem como facilitadores para o autorreconhecimento do jeito próprio de desenhar. "A oficina é uma brincadeira para destravar a mão e as ideias", diz.

Neste encontro único, os desenhistas também serão desafiados a criar uma narrativa em quadrinhos. Mas, segundo Sica, o trabalho acaba virando uma criação coletiva, porque cada um dá uma ideia e elas vão naturalmente se misturando. "Assim, o pessoal não trava com a necessidade de criar um roteiro", fala.
A única exigência é que os participantes tenham a idade mínima de 14 anos. O material básico o artista fornece, caneta esferográfica, lápis, borracha (usada poucas vezes, segundo Sica) e papel sulfite.

Projetos
Depois do lançamento do livro Fachadas, no ano passado, Sica prepara um novo. Desta vez será uma história longa, com roteiro inédito de Paulo Scott. A obra sai no próximo ano pela Cia das Letras.

O artista pelotense tem, ainda este ano, duas exposições individuais pela Caixa Cultural, uma em Fortaleza e outra no Rio de Janeiro.

Serviço
O quê: oficina Desenhe errado, com Rafael Sica
Quando: sábado, das 14h30min às 18h
Onde: Brisa ArqDesign, rua 3 de Maio, 719
Investimento: R$ 50,00 (até amanhã no local do curso, das 9h às 11h30min e das 14h às 18h)
Inscrição: sicarafael@gmail.com


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