Projeto

Nas primeiras notas

Após seleção de participantes, Orquestra Estudantil Municipal realiza ensaios iniciais

16 de Maio de 2018 - 11h32 Corrigir A + A -
Primeiros ensaios servem para entrosar os alunos, que ainda aprendem a lidar com os instrumentos (Foto: Jô Folha - DP)

Primeiros ensaios servem para entrosar os alunos, que ainda aprendem a lidar com os instrumentos (Foto: Jô Folha - DP)

Alunos criam intimidade com os instrumentos nestes primeiros passos (Foto: Jô Folha - DP)

Alunos criam intimidade com os instrumentos nestes primeiros passos (Foto: Jô Folha - DP)

O início é complicado, tem problemas de afinação, de tempo, de coordenação pura e simples. Aos poucos, porém, a força de vontade e a ânsia por aprender fazem com que o som produzido seja até mesmo bom, mesmo tendo em vista o pouco tempo de trabalho. Na última terça-feira ocorreu o segundo ensaio da Orquestra Estudantil Municipal, no Colégio Estadual João XXIII, em Pelotas.

Iniciativa da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed), o projeto foi criado nos mesmos moldes da Orquestra Estudantil do Areal, oriunda da Escola Estadual Ginásio do Areal. A coordenação, inclusive, é da mesma professora, Lys Ferreira. A ação municipal abriu inscrições em abril para cinquenta crianças e trinta vagas foram preenchidas por alunos de toda a rede pública de ensino. O restante será completo ao longo do processo. “Aos poucos eles mesmos vão divulgando para os amigos e vamos recebendo mais crianças”, comenta a professora.

Ao fim do processo, espera-se que a orquestra seja formada pelos mais diversos instrumentos: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, piano, violão, flauta doce, percussão. Uma das estudantes aprovadas no processo seletivo e, por consequência, hoje membro da Orquestra Estudantil Municipal, é Melissa Alves, 14, aluna da Escola Municipal Doutor Alcides Mendonca Lima, no Fragata. “Eu sempre gostei de música, meu pai toca violão. Quando surgiu a oportunidade eu direto me inscrevi. Conheci os instrumentos, os exercícios e estou adorando”, diz, destacando o violino como seu queridinho até aqui. “O som me arrepia”, completa, para na sequência se juntar aos colegas que tentam, em conjunto, fazer sair canções de Beethoven. 

Apesar de as vagas ainda não terem sido completamente preenchidas, Lys destaca que aqueles que estão participando já estão fixados ao projeto, aprendendo, aos poucos, o mundo particular de cada instrumento. “É uma situação nova, a maioria ainda não conhecia os instrumentos. Violoncelo e viola não tiveram inscrições e os alunos aos poucos estão se interessando por eles, fazendo perguntas”, conta. Os integrantes recebem, cada um em sua escola, instruções para aprender a dominar os instrumentos.

Oportunidade
Lyz, que criou a Orquestra Estudantil do Areal em 2014, diz que é um desejo ver todas as escolas com projetos voltados à música. “Ela muda a rotina das crianças. Nosso interesse não é em formar musicistas, mas sim cidadãos que tenham domínio da própria cultura. Além de desestruturar essa ideia de que a música erudita é algo elitista. Ela é patrimônio cultural da sociedade”, explica.

O projeto é também oportunidade de inclusão e um caso emblemático é o do jovem Pedro Henrique Scheer. Autista, ele sempre foi apaixonado por música e, agora recebeu a chance de aprender a tocar teclado na orquestra. A mãe, Karen, está empolgada. “É uma ideia maravilhosa. Meu filho está trabalhando tempo, espaço, socialização. Estou encantada”, comenta.


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