Mobilidade

Quase 50 quilômetros para rodar de bike

SMTT promete pelo menos mais 20 quilômetros até o final da gestão; relação entre motoristas e ciclistas, no entanto, ainda não é das melhores

14 de Abril de 2018 - 13h21 Corrigir A + A -
Na Gomes Carneiro são 1.600 metros de ciclovia (Foto: Gabriel Huth - DP)

Na Gomes Carneiro são 1.600 metros de ciclovia (Foto: Gabriel Huth - DP)

As bicicletas vêm ganhando cada vez mais espaço no dia a dia dos pelotenses. O aumento desta forma de transporte trouxe também a necessidade de melhorar as estruturas para a utilização delas. E caminhando neste sentido, Pelotas está próxima de chegar aos 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas.

Os dados da Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) apontam 49,4 quilômetros de espaços destinados aos ciclistas em 19 vias do município. O secretário Flávio Al Alam espera inaugurar pelo menos outros 20 quilômetros até o final da atual gestão, em 2020. "Nós viemos crescendo muito nesse sentido", aponta, referindo-se às novas obras inauguradas, a maioria já destinando espaço às bicicletas.

O aumento da estrutura também traz mais ciclistas às ruas. É o caso de Sílvio Furtado. Ele diz utilizar a bicicleta para quase todas as suas saídas, circulando por todos os bairros do município. Embora elogie o aumento de opções e a melhora na estrutura, ainda faz críticas, em especial ao comportamento das pessoas com quem divide o trânsito.

Pedestres utilizando o espaço para caminhadas e carros não respeitando a sinalização já deixaram o porteiro de 47 anos em situação de aperto. "Tem que estar sempre ligado", lamenta. A trepidação causada por concreto irregular em algumas das ciclovias também lhe incomoda. Na avenida Domingos de Almeida, ele aponta para pequenos desníveis que acabam gerando transtorno ao ciclista. "Mas, no geral, está melhorando", pondera.

Desafios
Para o secretário de Transportes e Trânsito, o próximo passo é levar as ciclovias e ciclofaixas para dentro dos bairros. A necessidade, segundo ele, é implementá-las nas maiores vias e dar proteção ao ciclista. Ele cita como exemplo quem está transitando na avenida Salgado Filho e precisa entrar na Cohab II. "Aí, o ciclista vai para o enfrentamento com o carro", comenta.

Este é o caso de Rodolfo Leão. Morador das Três Vendas, estuda Filosofia no Porto e faz o percurso diariamente de bicicleta. Ele destaca a qualidade das vias no Centro, mas lamenta o problema nos bairros, principalmente a falta de respeito dos veículos.

Afinal, qual a diferença entre ciclovia e ciclofaixa?
O secretário Al Alam explica que a ciclofaixa é uma parte retirada e sinalizada da via, como o caso da Félix da Cunha. "A ciclovia é mais segura, mas a ciclofaixa é simples, rápida e barata", explica. Ele ressalta, porém, os novos empreendimentos, como a duplicação da Juscelino Kubitschek. Por se tratarem de obras iniciadas do zero, torna-se mais fácil incluir no projeto inicial as ciclovias.

A estudante de Filosofia Franciele Cardoso também utiliza a bicicleta para se locomover pela cidade. Na ciclofaixa da rua Gomes Carneiro, ela destaca a qualidade das vias, mas lamenta a falta de sinalização em alguns locais. O desvio da ciclofaixa da Félix da Cunha, por exemplo, é algo incômodo para a ciclista. Além disso, em ruas de mão única, por exemplo, ela chama a atenção para a falta de cuidado de motoristas olhando apenas para um lado para cuidar dos carros, não percebendo a presença de bicicletas vindas de ambas as mãos.

Próximos passos
A expectativa da SMTT é implementar pelo menos mais 20 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. Uma obra próxima deverá ligar as avenidas Fernando Osório e Ildefonso Simões Lopes através da Leopoldo Brod. A Ildefonso já possui ciclofaixa, mas a parte entre o bairro Liberdade e o cemitério São Lucas ainda não possui.

O trecho por dentro do bairro Pestano deverá ter 3,8 quilômetros e mais 1,7 quilômetro na Ildefonso. Além disso, a rua Rafael Dias Mazza, ligando a Ferreira Viana à Domingos de Almeida, deverá ganhar pouco mais de um quilômetro de ciclofaixa.

Confira as ciclovias e ciclofaixas existentes em Pelotas

Avenida Ferreira Viana - 3.200 metros

Avenida Adolfo Fetter (até a Rio Grande do Sul) - 3.800 metros

Avenida Adolfo Fetter (Balneário dos Prazeres) - 3.800 metros

Avenida Antônio Augusto Assunção - 2.000 metros

Avenida Domingos de Almeida - 4.000 metros

Avenida Juscelino Kubitschek - 1.800 metros

Rua Félix da Cunha - 2.000 metros

Rua Gomes Carneiro - 1.600 metros

Rua Professor Araújo - 2.000 metros

Avenida Fernando Osório - 7.500 metros

Praça 20 de Setembro - 900 metros

Avenida Duque de Caxias - 5.400 metros

Rua Andrade Neves - 1.500 metros

Avenida Dom Joaquim - 1.700 metros

Avenida República do Líbano - 1.100 metros

Avenida Ildefonso Simões Lopes - 31.000 metros

Avenida Salgado Filho - 1.700 metros

Avenida Zeferino Costa - 1.300 metros

Avenida Bento Gonçalves - 1.000 metros

Total 49.400 metros

(Fonte: Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito)

 


Comentários


REDES SOCIAIS

Diário Popular - Todos os direitos reservados