Investigação

Polícia Civil conclui inquérito do caso Pierre

Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou que o jovem sacou a arma de um agente da GM e atirou contra própria cabeça

05 de Março de 2018 - 20h32 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Em fevereiro, amigos da família  de Pierre estiveram na  Câmara de Vereadores de Pelotas pedindo solução para o caso (Foto: Gabriel Huth - DP)

Em fevereiro, amigos da família de Pierre estiveram na Câmara de Vereadores de Pelotas pedindo solução para o caso (Foto: Gabriel Huth - DP)

A Polícia Civil concluiu o inquérito, definindo como suicídio a morte de Pierre Aldavio Bonow, 24, no dia 3 de fevereiro deste ano, na rua Padre Anchieta, centro da cidade. De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Pierre estava em surto quando conseguiu sacar a arma de um agente da Guarda Municipal (GM) e atirar contra a própria cabeça. Os servidores não foram indiciados.

Em uma primeira versão contada na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), após o fato, o rapaz - armado com uma faca - teria atacado um dos guardas. Na tentativa de imobilizar Pierre, outro GM teria disparado com a arma de choque, o que, segundo a ocorrência, não teria sido suficiente, porque o rapaz teria batido com o braço na arma de condução elétrica e esta caído no chão. Logo em seguida, Pierre teria, ainda, tentado agarrar o guarda municipal e sacar a arma dele, foi quando, segundo a versão dos servidores, o outro GM atirou contra cabeça do jovem.

A versão, porém, foi contrariada quando familiares de Pierre e os próprios agentes da GM procuraram a DHPP para contar o que teria acontecido. Conforme a delegada responsável pela conclusão do inquérito, Walquíria Meder, testemunhas e os envolvidos no caso contaram a mesma versão de que Pierre teria conseguido sacar a arma de um dos agentes municipais e atirado contra si. "Muitas pessoas foram ouvidas e a investigação apontou o que eles contaram", comentou. Ainda de acordo com a delegada, os fatos narrados na primeira versão são falsos. "Não houve legítima defesa, o rapaz também não tentou atacar os guardas. Os servidores estavam muito assustados, isso pode ter feito com que eles contassem o que foi dito inicialmente", explicou.

Procurado pela reportagem do Diário Popular, o secretário de Segurança Pública do município, Aldo Bruno Ferreira, disse que não poderia comentar a conclusão do inquérito porque estava na capital e não teve acesso ao documento. Ele disse, porém, que deve questionar os agentes envolvidos sobre o motivo das duas versões contadas. "Vou conversar com eles e, se for o caso, encaminhar à Corregedoria da Guarda", afirmou.

O DP tentou contato com os servidores envolvidos no caso Pierre, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta edição. A reportagem ligou para a Guarda Municipal, que informou que os mesmos estavam de folga. O secretário da SSP disse que os GMs estão na ativa e não foram afastados.


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