Data-base

Governo do RS envia proposta de salário mínimo regional

Para a Fiergs, reajuste é coerente; já para as centrais sindicais, a correção achata o salário

23 de Fevereiro de 2018 - 21h02 Corrigir A + A -
Sartori utiliza o mesmo percentual de Temer para o nacional
 (Foto: Luiz Chaves - Palácio Piratini - DP)

Sartori utiliza o mesmo percentual de Temer para o nacional (Foto: Luiz Chaves - Palácio Piratini - DP)

O governador José Ivo Sartori (MDB) encaminhou à Assembleia Legislativa, na noite de quinta-feira, a proposta do governo para o reajuste do salário mínimo regional. Pelo projeto, Sartori quer 1,81% de correção, o que significa R$ 21,32 a mais no salário mensal. Hoje em R$ 1.175,15, o rendimento pode chegar a R$ 1.196,47.

O índice acompanha o reajuste dado por Michel Temer (MDB) com relação ao mínimo nacional. Hoje o mínimo regional é 23% maior na proporção com o nacional.

"Acredito que encontramos a melhor solução possível, que é de manter o mesmo índice do salário mínimo nacional", comentou o secretário de Planejamento, Governança e Gestão, Carlos Búrigo. Ele foi o responsável pela mediação do diálogo entre entidades sindicais e empresários. As entidades chegaram a se reunir com o governo no início de dezembro para tratar do tema.

O Rio Grande do Sul foi o segundo estado a adotar o piso regional. O primeiro foi o Rio de Janeiro. Aqui, a criação foi em 2001 durante o governo de Olívio Dutra (PT). O governo estima que 1,3 milhão de trabalhadores gaúchos recebam o piso regional e sejam atingidos com a medida. Como foi proposta em regime de urgência, o Legislativo tem até o dia 24 de março para votar a proposta.

A data-base do regional é 1º de fevereiro e será retroativa, quando aprovada. O reajuste dado ao salário nacional, também de 1,81%, representa R$ 17,00 ao trabalhador - o índice foi o mais baixo desde 1994.

Fiergs pede o fim do mínimo regional

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) lançou uma nota na tarde de sexta-feira reafirmando sua posição de querer a extinção do salário mínimo regional. A entidade considerou "coerente" o índice de reajuste em função de ser o mesmo praticado a nível nacional.

"O contexto que motivou a sua criação, em 2001, mudou totalmente, com o salário mínimo nacional atualmente voltando a cumprir seu papel por conta dos sucessivos ganhos reais nos últimos anos", declarou o presidente da entidade, Gilberto Petry.

Conforme a entidade, desde que foi criado, o piso regional teve reajuste de 115%, enquanto o nacional foi em torno de 83%. Para Petry, o piso regional não fomenta o crescimento econômico e o desenvolvimento do mercado de trabalho.

Centrais sindicais criticam baixo reajuste

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) considerou a proposta como "para agradar empresários". As centrais reivindicavam a correção de 4,5%. "Trata-se de uma proposta de achatamento salarial", classificou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo.

A central já solicitou uma audiência com o novo presidente da AL, deputado Marlon Santos (PDT), e com outros deputados para emendar a proposta inicial para a valorização do trabalhador e incentivar a economia gaúcha.

"O dinheiro não é gasto em Miami, mas vai direto para o comércio local, ajudando a girar a roda da economia gaúcha", declarou Nespolo. O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Guiomar Vidor, também reforçou a crítica e promete articulações na Assembleia para aumentar o índice inicialmente apresentado.

Estados que contam com salários regionais
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
Rio de Janeiro
São Paulo

Diferenças
Salário mínimo nacional - R$ 954,00
Salário mínimo regional - R$ 1.175,15
Diferença - R$ 221,15


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