Solidariedade

Pronto-Socorro de Pelotas é revitalizado pela comunidade

Voluntário e presidiários trabalham nas obras de requalificação

12 de Fevereiro de 2018 - 09h44 Corrigir A + A -
Auxílio. Com o trabalho gratuito, Julio dá exemplo a uma multidão. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Auxílio. Com o trabalho gratuito, Julio dá exemplo a uma multidão. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A reestruturação do Pronto-Socorro de Pelotas (PSP) conta com uma ajuda especial. Voluntário, Julio Alberto Moura, 48, passa o dia no hospital. Troca fechadura, impermeabiliza piso, pinta parede. Se faltar material, ele mesmo compra. Com uma vontade imensa de ajudar o próximo, Moura soma esforços à mão de obra prisional para transformar o ambiente hospitalar.

“Sempre gostei de ajudar”, resume. Ele já foi colaborador na Santa Casa de Pelotas, no Hospital Universitário São Francisco de Paula e na Fundação de Apoio Universitário (FAU). Também apoia financeiramente outras instituições brasileiras e uruguaias. O desapego é tanto que se desfez até do carro de luxo. “Troquei por um popular”, comenta. O dinheiro foi destinado a dois hospitais.

A vontade de ajudar o PSP surgiu quando observou as condições precárias do lugar. “Não dá para entrar aqui, ver as paredes descascando e não fazer nada. Que tipo de ser humano eu seria?”, questiona. Ter consideração com os pacientes internados em um lugar antes tão triste também o motivou a ajudar. Aos poucos, as paredes verdes castigadas pela umidade vão dando espaço para lajotas claras. A mudança pode parecer pequena, mas faz toda a diferença para quem passa dias e noites no ambiente.

Suelen Arduin, diretora de gestão do PSP, classifica o trabalho de Moura como fundamental. “Se cada um contribuísse um pouquinho, o mundo seria melhor”, acredita. O recurso economizado com a mão de obra ainda pode ser investido em outras necessidades. O material usado na obra é custeado pela prefeitura. Se faltarem equipamentos, o voluntário paga com o próprio dinheiro. Nas últimas semanas, por exemplo, doou televisões para as peças que irão abrigar os leitos infantis.

O voluntário não trabalha sozinho. À mão de obra dele soma-se a de presidiários. Apenas quatro, porque o espaço livre é pequeno e o trabalho precisa ser feito aos poucos. O Pronto Socorro, inclusive, é o 21º prédio reformado com o auxílio da mão de obra prisional em dois anos. “Eles desempenham o trabalho com um cuidado exemplar”, elogia Suelen.

O benefício aos presos é enorme. G.M., 21 anos, é prova disso. Antes de se envolver com o crime, fazia bicos em reformas. Quando passou a integrar o time que reformou Unidades Básicas de Saúde (UBS), sua vida ganhou a chance de voltar ao caminho certo. “Esse trabalho significa a minha liberdade”, resume. Além de propiciar uma fonte de renda, a função também reduz a pena do condenado.

O trabalho em uma UBS específica foi fundamental para a mudança na vida de G.M. Em meio às reformas, conheceu uma servidora da unidade e acabaram se casando. Prestes a conquistar a liberdade condicional (ele estima que dentro de um mês já consiga o benefício), seus planos para o futuro incluem obras, voluntariado e vida a dois. “Minha vida vai ser do serviço para casa”, afirma. Ele também pretende seguir trabalhando de graça na reforma do PSP.

Reestruturação
O Pronto-Socorro de Pelotas passa por uma readequação da estrutura. O setor infantil, que ficava ao fundo do local, vai passar para a parte da frente. Assim, as crianças não terão mais contato com os adultos internados. As paredes estão sendo revestidas com porcelanato para evitar a infiltração e o piso recebe uma camada de impermeabilizante. Banheiros também foram reformados. O objetivo da obra não é ampliar o espaço físico, mas realocar espaços para melhor aproveitamento da estrutura existente.


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