Reconhecimento

Os traços que representam muitas mulheres

Quadrinista pelotense Júlia Arostegi publica história Big Jo no Webtoons e tem média de um milhão de acessos semanais

12 de Fevereiro de 2018 - 11h40 Corrigir A + A -

9.58. Essa é a nota que Big Jo, história em quadrinhos criada pela pelotense Júlia Arostegi, tem de média na plataforma digital Webtoons, onde é lida semanalmente por um milhão de pessoas. De todos os cantos do mundo, o público acompanha trajetória de gordofobia, bullying e satisfação pessoal de uma adolescente como tantas outras.

Júlia se diz desenhista desde sempre. O problema foi o item que separa o desenho livre, da infância, de quando o prazer se torna também trabalho. “Demorei para aceitar a quantidade de trabalho envolvido na produção de uma história em quadrinhos. Dá trabalho para caramba e as pessoas leem em dez segundos aquela página que te levou um dia”, comenta ela que reside atualmente em Berlim.

Big Jo ela começou como um exercício de produtividade, em estilo simples e rápido. Para manter um ritmo de desenho, começou a publicar as histórias no portal gratuito Tapas. A trama acompanha as dificuldades - e também as alegrias - de uma adolescente gorda vivendo em uma sociedade que não a aceita dessa forma. Tudo contado de maneira leve e divertida, o que, acredita Júlia, contribuiu para que a HQ ganhasse uma legião de fãs.

O sucesso garantiu contrato com a editora Webtoons, plataforma de quadrinhos digitais grátis para o público. A parceria rendeu não apenas uma expansão do alcance de Big Jo - atualmente, a história é lida por um milhão de pessoas semanalmente -, mas também remuneração pelo trabalho exercido.

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Alcance
A visibilidade é a realização de um sonho, ela diz, e é interessante perceber que a maioria do público que segue a HQ tem entre 12 e 13 anos - exatamente o início da faixa etária que afeta e é afetada pelo preconceito e bullying no ambiente escolar. O feedback, Júlia conta, é surpreendente: os comentários costumam ser acompanhados de boa dose de maturidade. Ela destaca também a troca de experiência com jovens que se identificam com a personagem. “Essa é certamente a melhor parte do que eu faço, e uma comprovação de que representação na mídia importa, sim”, comenta.

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O que também é legal demais, ela acrescenta, é o fato de cada vez mais mulheres quadrinistas estarem produzindo com reconhecimento do nicho, apesar da dose de machismo presente em todos os setores da sociedade. “As pessoas gostam de esquecer que as mulheres são uma audiência enorme - a gente tá por aí, indo ao cinema, lendo quadrinhos, jogando videogame. E as quadrinistas estão contando suas histórias a partir de sua própria perspectiva”, finaliza.


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