Cuidados

A triste mistura de álcool com direção

Em 2017, 105 condutores foram pegos dirigindo após ingerir bebida alcoólica

09 de Fevereiro de 2018 - 22h22 Corrigir A + A -
Evitar beber e dirigir é sinal de civilidade e preocupação com o outro (Foto: Divulgação - DP)

Evitar beber e dirigir é sinal de civilidade e preocupação com o outro (Foto: Divulgação - DP)

Por: Cíntia Piegas e Laura Marques
web@diariopopular.com.br

Números do Departamento de Trânsito do Estado (Detran RS), em 11 anos de análise, denunciam uma infeliz realidade: a média de mortes no período do Carnaval é de 5,4 vítimas por dia no trânsito gaúcho. Em 2017, por exemplo, foram 27 mortes nos seis dias de folia. Para Paulo Ricardo Rezende Marques, 34, professor de educação física, os números apresentados pelas autoridades só reforçam a sua preocupação: alertar motoristas que precisam se locomover nas ruas ou estradas no período de Carnaval a tomar o máximo de cuidado “com os outros”. Sua família é uma das que faz parte da fria estatística do Detran.

Há dez anos, seu pai, o mecânico Paulo Roberto Teixeira Marques, com então 48 anos, perdeu a vida em trágico acidente entre a moto que conduzia e um carro conduzido por um motorista embriagado na rua General Neto com Félix da Cunha, local onde há um semáforo.

Desde então, os números representam para o professor os finais de semana que passou sem o pai; quantas vezes encontrou sua mãe chorando baixinho de saudades do companheiro, e de quando passeios em família deixou de realizar.

Paulo Ricardo também perdeu as contas de quantas audiências foram realizadas desde que entrou com processo Cível e Criminal na Justiça. Um caminho que se arrasta há uma década, uma vez que, segundo o professor, no dia do acidente o teste de bafômetro do motorista da EcoEsport, na época estudante de medicina, apontou a ingestão de bebida alcoólica. No entanto, o que valia para a justiça era o teste clínico, cujo o médico de plantão teria se recusado a fazer, segundo boletim de ocorrência de 8 de fevereiro de 2008.

Ainda com base em testemunhos, a principal argumentação da família é que o motorista do carro teria invadido o sinal vermelho. “Na Vara Criminal, a promotoria teria pedido arquivamento do caso. Já na Vara Cível, o outro lado quer fazer acordo”, conta Marques. Dia 13 de março está marcada no Foro de Pelotas uma audiência de conciliação. O professor sabe que todo o processo não irá trazer o pai de volta, mas que ao menos se faça justiça. “Uma frase que meu pai sempre dizia: ‘te cuida com o outros meu filho!’” Com o período de Carnaval, o exemplo de Paulo Ricardo serve de alerta para quem for beber e pegar a direção.

Pelas vias pelotenses
Em Pelotas foram 105 ocorrências de embriaguez ao volante registradas no ano passado, média de 8,75 por mês. Em parcial do início de 2018 até então já foram oito registros. A prática é proibida pela Lei Seca, regulamentada há quase dez anos, legislação que tem se tornado cada vez mais rígida. Quando foi sancionada, permitia 0,1 miligramas por litro de álcool por litro de sangue. Hoje, o condutor que ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica está sujeito a multa de R$ 2.934,70 e suspensão da carteira nacional de habilitação por 12 meses, além de correr o risco de ser preso. No caso de motorista que cometer homicídio ou lesão grave ao dirigir alcoolizado ou sob o efeito de substância psicoativa, terá reclusão de dois a cinco anos.

Apesar de tantas restrições, parcela da sociedade ainda insiste em beber e dirigir. O subcomandante do 4º Batalhão da Brigada Militar, Márcio André Facin, fala que a BM continua realizando operações semanais ao lado de outros órgãos para combater este perigo. “A cultura está mudando aos poucos. A pessoa que está embriagada no volante precisa entender que representa um perigo muito grande para si mesmo e para todas as pessoas que possam ser afetadas”, explica. O subcomandante pede que aqueles que pretendem sair e ingerir bebidas alcoólicas durante o feriado procurem o transporte público ou caronas. “Não vá dirigindo de forma alguma”, reforça.


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