Prejuízo

Prefeitura pede mudança na balsa

Executivo quer evitar que caminhões desembarquem no centro histórico e sigam estragando o pavimento

09 de Fevereiro de 2018 - 21h14 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Fluxo de veículos pesados está destruindo o calçamento no centro da cidade (Foto: Divulgação - DP)

Fluxo de veículos pesados está destruindo o calçamento no centro da cidade (Foto: Divulgação - DP)

Não passa um dia sem que moradores ou comerciantes do entorno do atracadouro das balsas, em São José do Norte, não reclamem do trânsito de caminhões. Única forma de conexão direta entre o município e Rio Grande, a travessia aquaviária que tem embarque e desembarque na rua Carlos Bulamarque, à beira do canal Miguel da Cunha, se transformou em um problema para o centro histórico. A grande circulação de veículos pesados está deteriorando o calçamento das vias, incomodando quem vive na região e atrapalhando os planos de incentivo ao turismo na cidade.

Embora não seja novo, o problema tem se agravado nos últimos meses com o maior fluxo de caminhões com madeira, que se somam a carregamentos de adubo, gado e até lixo que precisam pegar a balsa para seguir viagem. A preocupação é tamanha com os danos às ruas e ao sistema de esgotamento pluvial que a prefeitura resolveu propor a retirada do atracadouro do local atual, passando a estrutura para as proximidades do Estaleiro EBR, distante do centro.

“Os caminhões andam todos os dias pelo centro da cidade, causando estragos e exigindo reparos constantes. É difícil dar conta com poucos recursos e uma equipe pequena de calceteiros”, reclama a prefeita Fabiany Roig (PSB). A ideia é que com a balsa em novo ponto, o tráfego de veículos pesados passe a ocorrer na Avenida Perimetral, que dá acesso à BR-101. Para isso, no entanto, é preciso que a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) autorize a mudança.

O ofício com o pedido da prefeitura foi recebido segunda-feira pela agência. Antes que o presidente Isidoro Zorzi se manifeste sobre a questão, o tema será analisado pela Diretoria de Tarifas e Assuntos Econômicos, que irá emitir parecer apontando se a mudança pode ter impacto sobre o preço cobrado pela travessia. Depois disso, será a vez da Diretoria de Qualidade dos Serviços estudar a proposta. De acordo com Jorge Jardim, chefe de gabinete da Presidência da Agergs, não existe prazo para uma resposta. No entanto, assegura que haverá prioridade para que haja uma definição o quanto antes.

Para Ronaldo Amorim, 49, que tem uma loja de materiais de construção na rua do atracadouro, a situação já se tornou insustentável. “A rua afunda, as pedras são arrancadas. Além disso, os caminhões tomam conta da via enquanto esperam para embarcar. Tem dias que não consigo sair com as entregas enquanto a fila não anda.” Para piorar, afirma que o mau cheiro de caminhões boiadeiros e de lixo invade as casas. “Fica difícil até fazer uma refeição”, protesta.

Mais horários de balsas
Enquanto aguarda uma solução para retirar o atracadouro do centro, a prefeitura busca também incluir novos horários de travessia da balsa. Além de reduzir o acúmulo de veículos à espera do transporte, que muitas vezes permanecem de um dia para o outro em fila na rua, a medida beneficiaria o turismo. Atualmente, a última saída da embarcação rumo a Rio Grande é às 17h. Segundo Fabiany Roig, a ausência de mais travessias é justificada pela Superintendência do Porto do Rio Grande pelos riscos de navegação no canal à noite.

“No verão os dias são mais longos, acreditamos que daria tranquilamente para termos outros horários da balsa. Isso seria importante porque é nesse período em que temos maior fluxo de turistas e mercadorias”, justifica a prefeita. Ao invés de seis travessias diárias de segunda a sábado e três nos domingos e feriados, o município pede que sejam estabelecidas sete e cinco, respectivamente.


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