Proibição

Exportação de boi vivo está suspensa

Decisão se deu em caráter liminar e atendeu ação do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Aninmal

05 de Fevereiro de 2018 - 22h31 Corrigir A + A -
Em 2017, país exportou 85,3 mil cabeças só pelo Porto de Rio Grande (Foto: Infocenter DP - Marcus Maciel)

Em 2017, país exportou 85,3 mil cabeças só pelo Porto de Rio Grande (Foto: Infocenter DP - Marcus Maciel)

Uma liminar concedida pelo juiz federal Djalma Gomes suspendeu a exportação de animais vivos pelos portos de todo o país. A decisão atende a um pedido do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal. O Rio Grande do Sul é o segundo estado que mais exporta o produto e a situação traz instabilidade ao mercado.

Só em 2017, 85,3 mil cabeças de gado vivo saíram do Porto de Rio Grande com destino à Turquia, principal importador. O número representa um aumento de 83,5% em relação a 2016 e foi o maior da história. Para este ano, Janir Branco, superintendente da unidade rio-grandina, afirma que as projeções eram boas. Como 2017 foi um ano atípico, com uma movimentação muito acima da média, a expectativa era de que o número se mantivesse ou até aumentasse. Somente no primeiro mês de 2018, sete mil terneiros vivos saíram do porto para o exterior. O Estado perde apenas para o Pará no número de animais vivos exportados.

O impacto da decisão no mercado é extremamente negativo, afirma o presidente do Núcleo Sudeste de Criadores de Angus, Luiz Renato Reis. “É uma medida totalmente irracional”, analisa, e fala que a decisão levou em conta uma visão restrita do processo. De acordo com ele, a exportação de gado vivo é um dos melhores negócios aos criadores e que eles obedecem a todas as normas técnicas e sanitárias necessárias ao transporte. “Nós temos a legislação mais exigente do mundo em relação à exportação de animais vivos”, garante.

Para Fábio Medeiros, integrante da Associação Brasileira de Angus, a medida teve um caráter ideológico e não técnico. “Todos os procedimentos relacionados à exportação obedecem aos critérios internacionais e estabelecidos pelo Ministério da Agricultura”, afirma. Por esse motivo, acredita que a “confusão” será resolvida nos próximos dias. De acordo com ele, o RS ainda não sofre as consequências da decisão porque a próxima exportação do tipo está prevista somente para o fim do mês. Porém, caso a liminar se mantenha, pode impactar em toda a cadeia produtiva.

No país, 400 mil cabeças de gado vivo foram exportadas no ano passado. Isso representa 0,89% do total produzido no país. Medeiros explica que a exportação não é tão significativa para o mercado, mas os produtores devem ter o direito de escolher o destino da sua criação. “Defendemos no livre mercado”, frisa. Nos próximos dias, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) devem lutar na Justiça pela volta das exportações. Até o fechamento desta edição, a decisão ainda não havia sido revertida.

Entenda o caso
A ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal alega maus-tratos aos animais durante longas viagens e no momento do abate no país de destino. Por isso, solicitou o impedimento das exportações até que fossem adotadas medidas efetivas para resolver essas situações. A ONG pediu, também, que o abate nos países destinatários seja humanitário, “pois do contrário não será digno de recepcionar animais vivos vindos do nosso país”. No momento da emissão da resolução havia um navio atracado no Porto de Santos (SP), carregado com 25 mil cabeças de gado vivo.


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