Cuidados

Um senhor pet de estimação

Por mais de 40 anos na família Tavares, Pitiço superou a expectativa de vida para equinos levando uma vida tranquila

05 de Fevereiro de 2018 - 14h23 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Casa. Animal vivia em uma propriedade em Pinheiro Machado. (Foto: Divulgação - DP)

Casa. Animal vivia em uma propriedade em Pinheiro Machado. (Foto: Divulgação - DP)

Um cavalo de estimação? Não é algo muito comum, já que o animal é visto mais comumente como parceiro de trabalho ou competições. E passando uma vida inteira na mesma família, a relação é mais atípica ainda. Mas essa é a história de Pitiço. Durante mais de 40 anos desfrutando da tranquilidade do interior de Pinheiro Machado, o cavalo superou com folga a expectativa de vida da sua espécie.

Criado na Chácara dos Marmeleiros, no Passo dos Pires, a dez quilômetros da sede do município, foi Pitiço o animal em que as crianças da família e os amigos aprenderam a cavalgar. José Tavares, o seu Zeca, 73, conta que o cavalo foi uma herança deixada pelo sogro. “Isso faz pelo menos uns 40 anos. E de lá para cá sempre foi como um filho”, disse, ao conversar com o Diário Popular há 15 dias.

Coincidentemente, horas após a entrevista, o cavalo de estimação morreu. Mesmo assim, a longevidade e a disposição com que andava pelo campo atrás de seu Zeca até os últimos dias, além de tornar ainda mais especial a lembrança da família, surpreende até quem é especialista nestes animais.

Diretor do Hospital de Clínicas Veterinária da Universidade Federal de Pelotas (HCV/UFPel), Carlos Eduardo Nogueira afirma que são raros os casos de cavalos superando os 30 anos de vida. “É difícil isso acontecer.

Depende de uma combinação de boa genética de seleção natural e cuidados fundamentais, mas sem humanizar o animal”, explica. Segundo o médico veterinário, cuidar bem do cavalo não significa exagerar na dose e tratá-lo quase como gente. “Este caso é um bom exemplo. Ele viveu no campo, com uma vida natural. Quando isso acontece, menor a dependência de remédios”, ressalta.

Aposentadoria
Embora Pitiço nunca tenha sido um animal voltado ao trabalho, Nogueira afirma que, dispondo de cuidados adequados, as atividades não são ruins. Basta ter bom senso e lembrar que quanto maior a exigência, maior a necessidade de nutrição, descanso e atenção com a saúde.

Para a filha de seu Zeca, Tatiana Tavares, 40, o pai soube respeitar a aposentadoria de Pitiço e a relação dele com o cavalo é o maior exemplo de respeito aos animais. “É uma grande história de carinho e cumplicidade entre almas.”


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