Safra

Venda de camarão movimenta comunidades pesqueiras na cidade

Primeiros dias de captura na Lagoa dos Patos ainda estão abaixo do esperado, mas dão esperanças a pescadores e comerciantes

03 de Fevereiro de 2018 - 16h03 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Ainda está longe do esperado, mesmo assim os primeiros sinais de existência de camarão na Lagoa dos Patos após quatro anos sem safra animam pescadores artesanais e comerciantes. Neste sábado (3), o movimento tanto na Colônia Z-3 quanto no Pontal da Barra, em Pelotas, já era bem acima do visto há uma semana, quando ainda não havia iniciado a temporada de captura do crustáceo.

Na Z-3, trabalhadoras das peixarias se dividiam entre descascar as primeiras caixas com o pescado recém chegado, o atendimento aos clientes e as respostas aos inúmeros telefonemas. Do outro lado do balcão ou da linha, a pergunta era uma só: "Já chegou camarão?".

Com paciência e um sorriso otimista no rosto, Osvaldina Roldão, 48, funcionária de uma das diversas peixarias da colônia, dava a boa notícia. Segundo ela, por enquanto ainda há mais procura do que produto. "Tem vindo pouco camarão para cá. Por isso ainda dá para conversar com calma. Se tivesse bastante mesmo, isso aqui estaria uma loucura", comenta.

Diante da grande procura e da pouca quantidade, os preços praticados na Z-3 estão acima dos previstos antes do início da safra. O quilo do camarão com casca está sendo vendido a R$ 25, enquanto que limpo está saindo por R$ 50.

Nada muito diferente do que ocorre no Pontal da Barra. Na comunidade a procura também se intensificou desde sexta-feira (2), quando o camarão começou a chegar às peixarias. Conforme o tamanho, o pescado está custando entre R$ 48 e R$ 52 limpo. Com casca, custa os mesmos R$ 25 praticados na Z-3.

"Estamos esperançosos, pois recém abriu a temporada e não para de chegar gente vindo buscar. Claro que já era para estar melhor, ter mais camarão. Mas acreditamos que vai melhorar dentro de alguns dias", projeta a comerciante Maria dos Santos, 52. Segundo ela, foram consumidos 200 quilos de camarão somente no primeiro dia de vendas.

Custo alto

Embora ainda acreditem que poderá haver fartura no estuário da Lagoa dos Patos mais próximo de Pelotas, alguns pescadores relatam que por enquanto o cenário não é favorável. Com a água salgada concentrada perto de Rio Grande, apontam a combinação de alto custo dos insumos e a baixa captura como um desafio.

"Saindo aqui da Z-3 para ir buscar em Rio Grande são pelo menos uns cem litros de óleo no barco. Tem ainda a comida e outros gastos que a gente tem. É um custo que pode chegar perto dos R$ 1 mil numa saída", contabiliza Iuri Bangalupe, 23. Pelas suas contas, seria preciso voltar ao Cais da Divinéia com pelo menos cem quilos de camarão para valer a pena. No entanto, diz que a maioria tem retornado da lagoa com em média 40 quilos do crustáceo.


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