Paixão e luta

Imigrante senegalês é protagonista de curta filmado em Pelotas

"Um lugar ao Sul" conta a história de imigrante senegalês que recebe do Grêmio Esportivo Brasil a oportunidade de jogar futebol

30 de Janeiro de 2018 - 11h30 Corrigir A + A -
Bathie Fall interpreta o protagonista que atua pela seleção senegalesa  (Foto: Divulgação - DP)

Bathie Fall interpreta o protagonista que atua pela seleção senegalesa (Foto: Divulgação - DP)

Xavante foi a primeira opção de time durante a produção do longa  (Foto: Divulgação - DP)

Xavante foi a primeira opção de time durante a produção do longa (Foto: Divulgação - DP)

Um senegalês chega a Pelotas com um sonho: alterar a realidade em que vive através de dribles, passes, chutes. Na cidade, se estabelece como atleta do Grêmio Esportivo Brasil e chega até a seleção do país de origem. Essa é a história de Um lugar ao Sul, curta-metragem que a produtora Saturno Filmes está realizando na cidade. O filme deve ser finalizado em junho e lançado em 2019.

Em entrevista ao Diário Popular, o diretor, Gianluca Cozza, conta que a mistura dos dois universos se deu por acreditar que o futebol funciona como pano de fundo para representar a falta de espaço e oportunidades para os imigrantes na região. Para a construção do roteiro, o cineasta realizou entrevistas com africanos que residem em Pelotas, com o objetivo de entender, como brasileiro branco, as dificuldades e os processos de quem deixa um continente em busca de trabalho. Surgiu destas conversas Dame, que ascende através do futebol, mesmo com o racismo e a xenofobia agindo fortemente contra.

Com a história em mãos, a produção partiu para a escolha do ator que interpretaria o protagonista. Pensou-se, claro, em um senegalês nato, ao que se iniciaram buscas através da comunidade senegalesa do Rio Grande, de onde Cozza é oriundo. Surgiu daí a indicação de Bathie Fall, espécie de líder dos imigrantes na região. Primeiro africano a ter loja própria em Pelotas, ele foi vítima de ação desproporcional da Guarda Municipal no ano passado. “Acho que o fato de o negro se ver não apenas nas telas, mas atrás das câmeras, dirigindo filmes, escrevendo histórias, tem muita significância, principalmente para as novas gerações; é uma forma do negro ver que é possível estar em lugares de relevância, em que, na maioria dos casos, apenas os brancos são mostrados”, comenta Cozza, destacando que Bathie e os demais imigrantes que participam de Um lugar ao Sul participaram da construção narrativa.

Do povo
O diretor conta que a escolha pelo Grêmio Esportivo Brasil, cujo sangue e a raça são o vermelho e o preto, não fora de forma alguma acaso. Clube identificado com as classes mais pobres de Pelotas, o Xavante foi sempre a primeira opção. “Desde o momento em que entramos em contato com a assessoria de imprensa, eles trataram de disponibilizar toda a sua estrutura”, destaca.

Para as filmagens do dia em que Bathie se despede do clube que lhe deu a chance de jogar futebol, era preciso um dia de Baixada lotada. Não demorou a acontecer e na partida entre Brasil e Paraná, no segundo turno do Campeonato Brasileiro do ano passado, o clima de caldeirão pôde ser captado. “Eu queria que o filme mostrasse esse clima de time do interior do Brasil, que tem uma torcida que lota o estádio e que tem características muito peculiares, que eu só tinha visto aqui em Pelotas”, completa Cozza.


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