Impasse

Governo federal não tem plano B à reforma da previdência

Carlos Marun demonstra otimismo na aprovação da emenda no Congresso, ao contrário do projetado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia

29 de Janeiro de 2018 - 14h37 Corrigir A + A -

Agência Brasil

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse nesta segunda-feira (29) que o governo federal não tem plano B sobre a reforma da Previdência. Ele afirmou que o governo está confiante de que até fevereiro alcançará o mínimo de 308 votos necessários entre os 513 deputados para aprovar no Congresso Nacional a polêmica emenda constitucional que altera as regras de acesso à aposentadoria. No fim do ano passado, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu dificuldades em conquistar o apoio do congresso.

“Não existe B. Nosso plano é o plano “A”, de aprovação da reforma ainda em fevereiro. A estratégia do governo é que no dia da votação teremos os votos necessários para aprovação. Não trabalhamos com essa hipótese", enfatizou Marun.

Depois de se reunir nesta segunda-feira com representantes de várias federações da indústria, instituições financeiras, de saúde, entre outros, Marun relatou que o setor empresarial apoia a reforma. O encontro, segundo o ministro, é uma das ações preparatórias para a chegada dos parlamentares ao longo da semana para iniciar a discussão da proposta em plenário no próximo dia 5 de fevereiro. O governo ainda trabalha contra determinação da justiça para nomear Cristiane Brasil (PTB-RJ) como ministra do Trabalho. Uma estratégia para conseguir apoio na Câmara.

Marun afirmou ainda que a base aliada do governo na Câmara “voltou ao patamar de votos” de maio do ano passado, antes da chegada das duas denúncias de corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa contra o presidente Michel Temer no Congresso Nacional. O governo trabalha com uma margem de apoio de cerca de 270 parlamentares e tenta convencer pelo menos 50 deputados.

“O que temos hoje de diferente? Primeiro, uma proximidade maior das eleições, que a princípio poderia atrapalhar, mas temos um fator positivo que é o fato de que a população, muito mais do que naquele momento, se predispõe a apoiar a reforma. Eu diria que, desde maio, não vivemos um momento tão positivo como hoje estamos vivendo para aprovação dessa reforma”, disse.

Marun considerou que Michel Temer se saiu muito bem na defesa da reforma durante as recentes entrevistas concedidas para emissoras de televisão e rádio. O ministro sinalizou que iniciativas desta natureza poderão prosseguir ao longo dos próximos dias como forma de buscar apoio popular para a reforma.

A leitura do relatório da reforma no plenário da Câmara e o início das discussões em torno da proposta estão previstas para semana que vem. A votação da reforma está marcada para depois do Carnaval, no dia 19 de fevereiro.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados