Violência

Mulher é atacada pelo marido a golpes de machado e de faca

O motivo da agressão seria uma possível traição, uma vez que a vítima estava sempre no WhatsApp

17 de Maio de 2017 - 11h02 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Atualizada às 19h35

Casada há 30 anos com E.S.S., 53, a vítima M.S.S., 49, dormia na cama do casal quando foi acordada com golpe de machado na cabeça e facadas pelo corpo, por volta das 6h desta quarta-feira (17). A violência foi praticada pelo seu companheiro com quem divide os dias, tem dois filhos e netos. Os cortes provocados pela faca atingiram principalmente a barriga da técnica de enfermagem que está internada no Pronto-Socorro de Pelotas (PSP). Por sorte, ela não corre risco de vida.

A filha do casal mora nos fundos da casa dos pais, no bairro Fragata, Zona Oeste do município, e disse ter ouvido gritos e pedidos de socorro feitos pela mãe, após ter sido alvo dos golpes. Ao entrar na residência, encontrou a vítima ensanguentada e com diversos ferimentos. Para evitar que o pai fugisse do local, L.S.S. e o marido seguraram o homem até a chegada da Brigada Militar (BM). Ele foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio.

Em depoimento à polícia, E.S.S. admitiu o crime. Ele alegou ser portador de esquizofrenia e disse que tentou matar a companheira porque suspeitava de traição, já que, segundo ele, a mulher não saía do aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp. A versão dada aos policiais de que o homem sofre com transtornos emocionais foi confirmada pela filha. Segundo ela, ele toma remédios para controlar a doença e no momento do ataque não estava em surto psicótico. “Eu não sei o que pensar dele. Não quero enxergar ele na minha frente”, desabafou. Apesar da explicação, E.S.S. deve ser mantido recluso no Presídio Regional de Pelotas (PRP) até a conclusão dos exames a que foi submetido comprovarem se ele sofre da doença.

De acordo com L.S.S., o pai já tinha histórico de violência contra a companheira. Ele é descrito por ela como um homem ciumento e possessivo. “Quando saíam, minha mãe não podia nem olhar para o lado que ele já queria saber o que ela estava olhando”, contou.

Conforme a filha do casal, das vezes que foi vítima de violência doméstica, M.S.S. preferiu não representar contra o marido por considerar que ele iria mudar. “É uma situação difícil. A mãe sempre relevou por conta dos problemas dele e por acreditar que isso iria acabar”, comentou. Desde 2005, na Polícia Civil, há quatro queixas de violência doméstica prestadas por M.S.S. contra o suspeito: duas de lesão corporal e outros dois registros de ameaça.

A tentativa de E.S.S. de matar a companheira é o primeiro caso de feminicídio tentado registrado em Pelotas em 2017. Em janeiro deste ano um caso de feminicídio consumado foi registrado quando um policial militar matou a companheira após discussão do casal na casa do irmão da vítima, no bairro Navegantes. Após o crime, o PM cometeu suicídio.

De 2012 a março deste ano, 12 mulheres foram vítimas de feminicídio em Pelotas. O número coloca a cidade em sétimo lugar na lista dos dez municípios com maiores índices de violência contra a mulher, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP). O município possui os mesmos números de cidades com alto índice de criminalidade, como Alvorada e Novo Hamburgo, na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Rede de apoio
Pelotas conta com o Centro de Referência Especializado de Atendimento às Mulheres Vítimas de Violência, localizado no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do bairro Cruzeiro, na rua Barão de Itamaracá. O serviço de recepção e acolhimento a mulheres em situação de violência conta com apoio da Delegacia da Mulher e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.

 


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