Emoção

Juntos pela primeira vez

Depois de enfrentar, em outubro, uma cirurgia intrauterina inédita na cidade, os gêmeos Théo e Pedro desfrutaram nesta quarta-feira de uma nova sensação: dividiram o colo da mãe; os meninos ainda não têm previsão de alta

03 de Janeiro de 2018 - 20h14 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Pela primeira vez a mãe esteve com os dois juntos   (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pela primeira vez a mãe esteve com os dois juntos (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Vocês lembram da gestante que precisou fazer uma cirurgia intrauterina para que um dos fetos pudesse se desenvolver da mesma forma que o outro? Isso ocorreu no dia 28 de outubro e os gêmeos nasceram no dia 7 de dezembro. Nesta quarta-feira (3), pela primeira vez, a mãe Katiuscia Motta conseguiu pegar ambos no colo. Momento único, de muita emoção, que ela viveu na Unidade de Tratamento Semi-intensivo, onde Théo, o primeiro a nascer, vai permanecer porque ainda não ultrapassou os dois quilos. Pedro, que já está com 2,275, foi liberado para o quarto.

Eles passaram 19 dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal e, segundo a médica rotineira Ana Rita Freitas, desde o dia 26 de dezembro receberam alta e foram levados para a Unidade Semi-intensiva. Mas apenas Pedro ganhou peso para deixar a unidade. Théo está com 1,750 quilo e ainda precisa permanecer no local. Ele precisou de suporte ventilatório por dois dias após o nascimento e Pedro de ventilação mecânica por cinco dias. “A cirurgia foi um sucesso. Eles são pequenos grandes guerreiros”, comenta a médica, ao acrescentar que nasceram prematuros, com 31 semanas e três dias.

Durante todo esse tempo a mãe se faz presente no hospital e isso, conforme a médica da UTI, ajuda muito na evolução dos bebês. Mãe de outros dois meninos, de dez e quatro anos, Katiuscia se desdobra entre a casa, os filhos que estão lá e os que continuam no hospital. Mas entre todos os momentos de aflição já vividos, diz que o pior deles foi quando os gêmeos nasceram e foram para a UTI. “Fiquei separada deles 26 dias”, conta.

A rotina da mãe, que reside no Fragata, é de um vai e vem constante. Às 9h já está no Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) para amamentar os bebês. Fica até as 12h30min, quando vai para casa e volta às 14h30min. Às 17h30min vai em sua residência e retorna pelas 19h30min. Fica até as 22h. O pai, a sogra e o marido ajudam com a casa e os outros dois filhos.

Mas nem a correria tira o sorriso do rosto e o brilho nos olhos dessa mãe que sempre esteve confiante que tudo daria certo. “O pior a gente já passou. Agora falta pouco”, comenta, logo que deixa Théo na incubadora. Ele só saiu para a foto e foi a primeira vez que a mãe conseguiu pegar os dois juntos. Pedro já estava vestido de vermelho e azul para deixar o local quando se ouviu o choro de Théo. “Escuto o chorinho dele e me corta o coração”, fala, comovida.

Sem precisão de alta
Ainda não há previsão dos meninos terem alta, mas só de saber que agora poderá ficar direto perto deles, pois foi cedido um quarto a ela de novo, Katiuscia está aliviada. Hoje, se liberados, os irmãos vão ao hospital conhecer o maninho que já está no quarto. O outro ainda não podem. Na UTI Semi-intensiva só entram pai e mãe, e os avós, aos sábados.
Katiuscia se diz dividida. Está muito feliz porque está indo para o quarto com Pedro, mas ainda preocupada porque Théo continua na incubadora. “É um pedacinho meu que fica aqui”, diz ela, ao deixar a unidade com Pedro nos braços.


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