Pelo mundo

A estrada musical de Biafran Lion

Após viajar o mundo usando a música como língua, estadunidense Biafran Lion chega a Pelotas e se encanta com os tambores

02 de Janeiro de 2018 - 09h45 Corrigir A + A -
“Qualquer lugar é minha casa, não me sinto em outro país”, diz o artista (Foto: Jô Folha - DP)

“Qualquer lugar é minha casa, não me sinto em outro país”, diz o artista (Foto: Jô Folha - DP)

Parceria. Biafran montou uma banda na cidade com o percussionista Everton  Maciel (Foto: Jô Folha - DP)

Parceria. Biafran montou uma banda na cidade com o percussionista Everton Maciel (Foto: Jô Folha - DP)

Biafran Lion percorre uma estrada pelo que a música popular negra melhor tem a oferecer. É do reggae, principalmente, mas tem também no hip hop um parceiro. Em quatro meses vivendo como pelotense, ele acrescentou outra vertente: o samba brasileiro. E assim ele vai, usando a linguagem universal que tem a música para se comunicar com todos os povos e ser todos os povos ao mesmo tempo. 

Biafran é originário de Las Vegas, nos Estados Unidos, e tem na família a principal base musical, ao que começou a cantar logo com sete anos. Desde então tem no reggae a principal preferência, diz pela tranquilidade e paz transmitidas através do ritmo e das letras. “Sou também muito próximo do hip hop, que é a música de agora, mas o reggae tem muita história, antes ainda de Bob Marley”, acrescenta.

Na adolescência começou a compor com mais seriedade e em 1992 compôs o primeiro disco, Que camino vamos. “Nunca gostei de tocar cover. Gosto de passar a minha mensagem, que é de amor e luta. Esse é meu centro”, diz, destacando, porém, que ao longo da carreira compôs também canções para outros artistas.

Aos poucos, Biafran foi fazendo do mundo a própria casa, um país de cada vez - e montando uma banda a cada local que conhecia. Canadá, México, Espanha e, a partir de 2013, a América do Sul, passando por Argentina, Uruguai, Peru, Paraguai, Equador e Venezuela. “Na minha visão, qualquer lugar do mundo é minha casa. Não me sinto estando em outro país, sinto que o atual lugar é o meu lugar”, comenta.

A decisão de deixar a cidade natal, explica, é uma forma de buscar públicos mais receptivos ao reggae - nos Estados Unidos, diz, o soul, o country e o gospel ainda dominam o gosto popular. Foi exatamente em 2013, durante show em Montevidéu, que a escolha se mostrou acertada: 15 mil pessoas assistiram à apresentação do estadunidense.

A vinda para Pelotas surgiu quase que por acaso. Enquanto fazia shows na praia uruguaia de La Paloma, Biafran ouviu de uma moça, encantada com o trabalho, que o Brasil seria local de sucesso certeiro para ele. Já com vontade de vir, não adiou mais. De Montevidéu, o destino seria São Paulo, mas o músico nunca passou da Lagoa dos Patos. Pelotas o prendeu de tal forma que ele está aqui já ha quatro meses e, como sempre, montou por aqui banda com músicos locais. O percussionista Everton Maciel está entre eles. “Ele mudou a banda. É o melhor que eu conheci, além de ser uma ótima pessoa”, rasga-se em elogios o estadunidense. Ele atualmente grava parcerias com o músico Matheus Rosa, da banda Champagnota, em som que mistura o reggae com o pagode. “Me encontrei muito nos tambores da música brasileira, na dança do samba, mas principalmente na verdade que o abraço do brasileiro me passa”, completa.


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