Ajuda

Uma história de atenção a pacientes com câncer

Aapecan funciona em Pelotas há 12 anos no auxílio ao tratamento oncológico de pessoas

31 de Dezembro de 2017 - 12h00 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

Maria de Lourdes utiliza a casa há um ano (Foto: Gabriel Huth - DP)

Maria de Lourdes utiliza a casa há um ano (Foto: Gabriel Huth - DP)

Há um mês o aposentado Manoel Reni dos Santos, 79, de Dom Pedrito, passa de segunda a sexta-feira em Pelotas para tratar um câncer de pulmão. A esposa Noeci o acompanha e ambos ficam hospedados, sem nenhuma despesa, na Casa de Apoio da unidade local da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan). Recebe quatro refeições diárias e todo o tipo de assistência de profissionais. Está entre as mais de 500 pessoas atendidas por mês. Além do que precisam para seu tratamento, participam de oficinas em diversas áreas.

A Aapecan não tem fins lucrativos e é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que atende gratuitamente pessoas com diagnóstico de câncer e em situação de vulnerabilidade. Tem a tarefa de chegar às pessoas sem condições de manter o tratamento da doença, que é muito caro. Vive do que arrecada com projetos, inclusive de telemarketing, e doações da comunidade e do empresariado.

Além disso, segundo o presidente Fabiano Gerbaudo, o impacto da palavra câncer deixa os pacientes muito abalados, por isso a OSC oferece atendimento em assistência social, psicológica e jurídica. Disponibiliza fraldas, suplementos alimentares e medicamentos para melhorar a qualidade de vida dos atendidos. O trabalho é focado no ser humano e em suas necessidades. O telemarketing garante boa parte dos subsídios para o atendimento dos assistidos, assim como as ações focadas para captar auxílio financeiro.

A Casa de Apoio oferece 22 leitos com ar-condicionado, sendo 11 pacientes com acompanhantes. São pessoas que vêm do interior para exames, consultas e tratamento, e não têm onde ficar. Da comunidade pelotense a Aapecan ganha apoio irrestrito, com a doação de material como medicamentos, suplementos, fraldas e kits de alimentação. Em março vai completar 13 anos de fundação, mas em Pelotas a unidade foi inaugurada há 12.

Entre os projetos estão a realização de brechós, com peças doadas pela população. Todo o tipo de arrecadação que a entidade tem transforma em benefício para as pessoas atendidas. Todos os finais de ano realiza festa e distribui uma cesta especial com produtos para a ceia de Natal. Este ano o evento ocorreu no CTG Farrapos, que cedeu o espaço, no último dia 7.

Acompanhamento e orientação
Frente à fragilidade socioeconômica e emocional que a doença provoca no paciente e em toda a família, a entidade acompanha, acolhe e orienta aos que buscam ajuda em uma de suas unidades ou aos que alcança em visitas domiciliares. Com o objetivo de elevar a qualidade de vida dessas pessoas, busca amenizar o sofrimento biopsicossocial, assim como trabalha o fortalecimento de laços familiares para melhor enfrentamento da doença.

Nas casas de apoio procura manter um ambiente que fuja ao de hospital, sendo os locais alegres e afetuosos, para proporcionar aos pacientes que esqueçam um pouco o foco da doença. “Deixamos o mais próximo de uma casa”, frisa o presidente. A entidade possui certidão de utilidade pública concedida pela prefeitura de Pelotas, atestado de inscrição no Conselho de Assistência Social e atestado de pleno e regular funcionamento.

A aposentada Maria de Lourdes São João Veiga, 63, casualmente também é de Dom Pedrito e está na Casa de Apoio de Pelotas há um ano, quando iniciou o tratamento em Pelotas. “É muito bom aqui. Uma maravilha. Fico toda a semana, às vezes metade. Vou e volto para fazer reposição de plaquetas no Pronto-Socorro de Pelotas (PSP), situado bem na frente da unidade. Dona Maria é portadora de leucemia e faz quimioterapia três vezes por semana. Não fosse a Aapecan, não teria infraestrutura para se tratar.

Surgimento
Pelotas tem a primeira filial da Aapecan no Estado. A primeira sede foi em Caxias do Sul e hoje está em Porto Alegre. A Aapecan nasceu da vontade de um grupo de amigos que ia aos hospitais levar doces aos pacientes e perceberam a necessidade daqueles tratados na oncologia com o pós-tratamento. Hoje existem 14 unidades no Rio Grande do Sul e, dessas, nove têm casas de apoio.

A Aapecan foi fundada no dia 5 de março de 2005 com a ideia de abrir uma entidade que apoiasse portadores de câncer. Na Metade Sul estão localizadas as unidades de Pelotas, Rio Grande, Bagé e Camaquã - que atendem mais de duas mil famílias - e duas Casas de Apoio, uma em Pelotas, com 22 leitos, e outra em Rio Grande, com 17, que hospedam um paciente e um acompanhante, além de proporcionar quatro refeições por dia, espaço de integração, atendimento psicológico, social e jurídico.


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