Preservação

Curso faz intervenção de emergência em mural da Baronesa

Turma do Bacharelado em Conservação e Restauro da UFPel trabalha na preservação da única pintura mural do Museu

13 de Dezembro de 2017 - 11h20 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

O trabalho incluiu limpeza e consolidação da camada pictórica (Foto: Divulgação - DP)

O trabalho incluiu limpeza e consolidação da camada pictórica (Foto: Divulgação - DP)

Nove horas de trabalho para consolidar e preservar uma das obras de arte mais marcantes do Museu da Baronesa, a única pintura mural do prédio, resguardada sob o alpendre que separa a casa do salão de festas. A ação é da turma de Introdução à Conservação e Restauração de Pintura Decorativa, do Bacharelado em Conservação e Restauro da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e integra a parte prática da disciplina. A atividade resultou ainda na descoberta de uma escaiola sob as camadas de tinta.

A turma, sob orientação da professora Andréa Lacerda Bachettini, começou o trabalho no dia 4 e se estenderá até a próxima segunda-feira. A ação ocorrerá em três segundas-feiras, no horário da disciplina, das 18h às 21h. “No próximo semestre devemos dar continuidade ao trabalho”, antecipa Andréa. Nestas duas primeiras intervenções, os 18 alunos da turma fizeram a higienização da pintura, além da consolidação do reboco e da camada pictórica.

A pintura estava em avançado estado de degradação, com a camada de pintura se soltando, conta a professora. “Estamos fazendo um tratamento emergencial para não se perder”, conta Andréa.
O mau estado muito se deve a uma calha do alpendre, que tem colocado água direto sobre a parede, acelerando o processo de desgaste. Apesar deste problema, o alpendre ainda é a única proteção da pintura. “Se ele não estivesse ali, já teria desaparecido.”

Descoberta
O trabalho de limpeza passou pela retirada das teias de aranha e da poeira. Segundo a professora, esta etapa não pode ser aprofundada, por causa da fragilidade da pintura.
Para continuar o processo os alunos tiveram que fazer a fixação da pintura usando diferentes tipos de adesivos, aplicados com borrifador. “Não poderíamos aplicar o pincel diretamente na parede para não perder a camada de tinta.”

Nas rachaduras e fissuras foi injetado álcool polivinílico para preenchimento. A parte da fixação do reboco será feita na próxima segunda-feira, com argamassa de cal mais fluida injetada na parede. Esta experiência prática é muito esperada pelos alunos, alguns deles ainda nos primeiros semestres do curso. “Como é uma disciplina eletiva, o conhecimento é bem diversificado.”

Para surpresa dos alunos e maior estímulo ao trabalho, a turma descobriu uma escaiola, técnica de pintura decorativa que imita o mármore, na parte inferior da imagem. “É um barrado de 1,50 metro”, conta a professora. Além desta, o casarão tem outra no banheiro.

Em fevereiro, depois do recesso, os acadêmicos retomarão a atividade para finalizar a disciplina. Nesta próxima etapa deve ser aplicado um tratamento mais profundo de limpeza para tirar fungos e manchas e realizar a reintegração pictórica; onde já teve a perda da pintura serão feitas a reintegração e a camada de proteção.

Origem da casa
Apesar dos vários documentos históricos sobre a Chácara da Baronesa, até hoje não foi possível precisar quando esta pintura mural foi feita e nem o seu autor. Segundo o conservador restaurador do Museu, Marcelo Hansen Madail, um dos poucos registros que se tem está em um filme de 1951, da produtora Veracruz, rodado no casarão, em que já apareciam as pinturas.

O que se sabe é que o prédio comportava outras pinturas em suas salas, nos corredores internos e também no salão de festas, mas hoje elas estão desaparecidas. Andréa acredita que existam outras que podem estar escondidas, sob camadas de tintas.

Também ainda não foi possível precisar a origem da casa. “Ela veio parar nas mãos do barão (Annibal Antunes Maciel Júnior) em 1871”, relembra Madail. Pouco depois o casal (Annibal e Amélia), que morava no Rio de Janeiro, veio morar na chácara. “Se foram feitas melhorias não há registro por enquanto. Mas em algumas cartas há registros de reformas”, diz.

O conservador restaurador celebra a parceria com o Bacharelado e diz que o trabalho dos acadêmicos tem sido importantíssimo para a preservação do Museu. A respeito da infiltração sobre a pintura, Madail diz que o cano que escoa a água das chuvas será afastado desta parede. A intervenção hidráulica deve ocorrer nas próximas semanas.


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