Análise

2018, um ano ainda difícil

O ano de 2018 não será positivo para a maioria dos segmentos produtivos

09 de Dezembro de 2017 - 22h23 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Pretto Neto aponta quem ganha ou perde com
a queda da taxa Selic (Foto: Moizés Vasconcellos - DP)

Pretto Neto aponta quem ganha ou perde com a queda da taxa Selic (Foto: Moizés Vasconcellos - DP)

O novo corte de 0,5% na taxa Selic, que fez cair para 7% a taxa básica de juros da economia brasileira, um patamar histórico para o país, não terá a mesma repercussão que em 2012, quando foi adotada uma política similar. Segundo o bacharel em Economia, Dary Pretto Netto, o momento é diferente, com elevadas taxas de endividamento dos consumidores e de desemprego.

O ano de 2018 não será positivo para a maioria dos segmentos produtivos. “Só em 2019, depois das eleições, é que as perspectivas poderão mudar”, diz Pretto Neto, que faz a ressalva em relação a quem vencer as eleições - se a favor ou contra a maior intervenção na economia do país. Hoje existem 61 milhões de inadimplentes no país, o maior índice desde 2012 e o total de desempregados, que chega a 13,7% da população economicamente ativa - enquanto em 2012 era de 6,5%.

Avaliando alguns segmentos produtivos, Pretto Neto exemplifica com o impacto na construção civil, que não será direto, já que ela depende da correção aplicada no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e na poupança pela Taxa de Referência (TR) e não pela Selic. Para o varejo, o aumento nas vendas deve beneficiar grandes redes, que se valerão de financiamentos mais baratos para os consumidores. Para as empresas endividadas, no entanto, o benefício virá da queda nas despesas financeiras, com impacto positivo no lucro líquido.

Reflexo positivo da queda dos juros virá na dívida pública, que terá consequente redução, beneficiando o orçamento. “Hoje, mais de 50% do orçamento do governo vai para os juros”, lembra o bacharel. Para a Bolsa de Valores, o momento é promissor, enquanto a renda fixa e a poupança devem ficar com menor atratividade. “A expectativa é de retorno à Bolsa”, diz Pretto Neto, que é doutorando em Memória Social e Patrimonial.


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