Prevenção

Em busca de conter os javalis

Governo federal lança o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali, projetando ações para conter a expansão do animal até 2021

06 de Dezembro de 2017 - 07h53 Corrigir A + A -
Javalis causam danos à flora e à fauna nativa e à produção agrícola; o Ibama autorizou o controle populacional do animal via abatimento (Foto: Divulgação - DP)

Javalis causam danos à flora e à fauna nativa e à produção agrícola; o Ibama autorizou o controle populacional do animal via abatimento (Foto: Divulgação - DP)

A diversão pela caça de um animal e o interesse do mercado alimentício em produzir uma carne diferente acabaram gerando um estorvo para o país. O javali - espécie exótica invasora, nativa da Europa, Ásia e África - proliferou-se pelo país com intensidade no século 20. Desde então, espalhou-se pelo Rio Grande do Sul e trouxe uma série de prejuízos a agricultores e para a biodiversidade da região. Optando por frear a expansão e a criação deste porco selvagem, o governo federal elaborou o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali.

O documento é resultado de pesquisas e parcerias entre os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, órgãos como Ibama, Embrapa e outras instituições e universidades. O plano contempla objetivos e ações a serem desenvolvidas até dezembro de 2021 em todo o território nacional.

O javali e suas variações, como o javaporco (híbrido entre porco doméstico e javali), além de ocasionarem danos à flora e à fauna nativa, são responsáveis por danos na produção agrícola. Em 2013, o Ibama declarou a nocividade do animal e autorizou seu controle populacional via abatimento. No Rio Grande do Sul, até julho deste ano eram 7,2 mil manejadores cadastrados pelo órgão federal, dando informação de sete mil javalis abatidos desde a implementação do cadastro.

Apesar de a criação e a comercialização de javalis serem proibidas no Brasil, ainda existem criadores ilegais espalhados pelo país. "Uma das atividades do Ibama a partir do plano é a maior fiscalização de criatórios. Algumas pessoas insistem em mantê-los", conta Rodrigo Dutra, chefe da divisão técnica do órgão. "Existe o manejo por caça com arma de fogo e cães. Outros proprietários (de lavouras e fazendas) fazem armadilhas para primeiro capturar o javali e depois abater", explica, ressaltando a importância do cuidado com o abate durante este processo. "Não pode ter maus-tratos nem machucar outros animais nativos com essas armadilhas."

O professor Demetrio Luis Guadagnin, do Departamento de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que trabalhou na elaboração do plano, expande a discussão para a conservação da biodiversidade do Estado. No norte gaúcho a predação de pinhão, um dos alimentos do javali, dependendo de sua intensidade, pode comprometer a regeneração da araucária, recurso importante para outros organismos. Já na campanha, no Sul, a alimentação de plantas que formam bulbos (gema subterrânea da planta, como a cebola) e a predação de aves que fazem ninho no chão são características do comportamento do javali, que prejudicam a fauna e a flora da região.

O município de Herval é um dos principais prejudicados pela invasão do bicho no Estado. Lá, ataca principalmente lavouras e rebanho de ovelhas, de acordo com o prefeito Rubem Dari Whilhelnsen, que não estava a par do plano. "Essa questão do controle é complexa. O javali se multiplica muito e é um bicho feroz. Não é qualquer gaiola que segura ele", afirma Rubem. Além disso, o prefeito acredita que não existe solução em nível municipal para conter a expansão do javali, já que a prefeitura possui prioridades com a saúde e a educação e os recursos são escassos. "Cada um faz do seu jeito. O produtor que tiver prejuízo vai lá e caça", fala.

Uma vez introduzida, a espécie é mesmo difícil de extinguir devido à agressividade e à fácil reprodução do animal. "O Mapa fica como responsável pelo controle sanitário desses animais. Os manejadores são indicados a coletar amostras quando os agentes abatem esses animais, desde soro até órgãos e tecidos", diz Edison Eckert, auditor fiscal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Das enfermidades que podem ser transmitidas aos seres humanos, Edison cita a leptospirose, a hepatite e a tuberculose. O animal também pode ser veiculador de raiva, segundo novos estudos, diz Edison.

Ações

- Prevenir a expansão geográfica do javali no Brasil e a sua reinvasão em áreas onde exista o controle da espécie
- Monitorar a abundância, a distribuição e a condição sanitária das populações de javalis, seus impactos socioeconômicos e ambientais, bem como a efetividade das atividades de prevenção e controle
- Mitigar os impactos negativos socioeconômicos e ambientais
- Aprimorar a gestão do processo e eficácia do controle
- Gerar conhecimento técnico-científico
- Manter a sociedade informada e sensibilizada sobre os riscos representados pelos javalis e as ações necessárias para a prevenção, o controle e o monitoramento

Impactos promovidos pelo animal

- Destrói de lavouras
- Reservatório e transmissão de muitas doenças
- Fuça a vegetação nativa
- Dispersa ervas daninhas
- Desregula processos ecológicos
- Predação de tartarugas terrestres, tartarugas marinhas, aves marinhas e répteis endêmicos


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