Educação

Formaturas da UFPel passarão a ser organizadas e regidas pela instituição

Ingressos a partir de 2018/1 se formarão sob o novo regimento, que visa maior controle por parte da universidade e inclusão a alunos

04 de Dezembro de 2017 - 22h13 Corrigir A + A -
Foi montada uma comissão, com liderança da professora Lúcia Maria Vaz Peres, que tem como intuito mudar tanto a questão conceitual quanto operacional das formaturas (Foto: Divulgação - DP)

Foi montada uma comissão, com liderança da professora Lúcia Maria Vaz Peres, que tem como intuito mudar tanto a questão conceitual quanto operacional das formaturas (Foto: Divulgação - DP)

Uma das propostas da campanha de Pedro Curi Hallal à Reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) consistia em fazer a universidade pública ser 100% gratuita. E um passo rumo a essa meta está para ser dado já no início do próximo semestre. As formaturas dos alunos passarão a ser completamente geridas pela universidade, desde a organização até o financiamento. O reitor comenta que a ideia partiu a partir da percepção de que o formato atual das formaturas é "elitista" e pomposo, e acaba excluindo parte dos alunos. "Conceitualmente, o ponto é que queremos que a formatura seja para todos", resume.

Foi montada uma comissão, com liderança da professora Lúcia Maria Vaz Peres, que tem como intuito mudar tanto a questão conceitual quanto operacional das formaturas. Ao longo do primeiro ano de gestão, o modelo foi estudado e analisado, visando às possibilidades da implementação. Uma reunião com o DCE já foi feita para falar do projeto, que, de acordo com o reitor, foi aprovado pelo diretório. O próximo passo é fazer reuniões com as direções de faculdades e colegiados, o que deve começar a partir da próxima terça-feira. Diretores, coordenadores e turmas deverão ser consultados. O processo, no entanto, ainda está em fase de construção, e consultas e sugestões ainda são bem-vindas, ressalta Hallal.

Com inspiração no modelo da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), a ideia é que o papel da universidade também ganhe destaque. Visitas foram feitas à instituição do município vizinho e o modelo foi exaustivamente estudado para ser reproduzido com perfeição e melhorias.

Coordenação
A assessora do Gabinete do Reitor e ex-diretora da Faculdade de Ensino da UFPel, Lúcia Maria Vaz Peres, é quem está fazendo a frente na comissão. Ela ressalta os dizeres de Pedro Curi Hallal e afirma que o grande foco é que as formaturas sejam geridas pela universidade, o que daria mais poder de decisão e gestão institucional, já que hoje boa parte desse controle se concentra na mão das produtoras contratadas pelas turmas.

Ela considera que, assim como o processo de ingresso, o processo formativo também deve ser responsabilidade da UFPel, já que a universidade precisa ser inclusiva no início e na culminância do processo de formação. Para isso, será necessária toda uma organização para criar uma política que viabilize isso.

Tempo
O tempo é um aliado para implementar o projeto. A obrigatoriedade da adesão ao novo modelo só valerá aos alunos ingressos a partir de 2018/1, o que dá até quatro anos para as primeiras formaturas ocorrerem. Lúcia Maria, no entanto, diz que turmas já ingressas na UFPel poderão vir a aderir a esse formato, conforme ele esteja disponível.

A partir da implementação do modelo, as formaturas feitas fora desse padrão não serão consideradas oficiais, já que não contará com a presença do reitor ou de seu representante legal, o que faz com que a cerimônia seja oficializada pela universidade.

Espaço e custos
A questão de espaço, no entanto, ainda é um ponto a ser estudado. Parte do planejamento das novas formaturas é fazê-las em local próprio da universidade. Uma das estratégias da atual gestão é diminuir o número de aluguéis, o que exclui, naturalmente, espaços terceirizados, como ocorrem atualmente. A comissão não revela onde planeja sediar as solenidades, já que as possibilidades ainda estão sendo estudadas. Lúcia Maria não descarta também a construção ou reforma de outro espaço, insistindo que isso só será divulgado posteriormente.

Outro fator dentre as mudanças programadas é que as formaturas sejam coletivas, formando-se centros inteiros e os cursos a eles pertencentes, e não mais cada curso individualmente, como costuma ocorrer. A expectativa é de que as solenidades concentrem sempre de 150 a 200 alunos, com um mínimo de 90. O planejamento inclui casos especiais e turmas pequenas poderão se formar. Para isso, o auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (Faem), com capacidade para 20 formandos, também poderá ser usado.

Atualmente as turmas pagam de R$ 5 mil a R$ 10 mil apenas em aluguel de espaço. Formanda do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, Ana Luiza Dall'Agnol conta que, por se tratar de uma turma com poucos graduandos, ela e seus colegas se juntaram com três outras engenharias para unificar as solenidades e diminuir custos. O valor final é relativamente baixo, dentro dos padrões das formaturas - cerca de R$ 2 mil por formando -, havendo cursos onde os custos de formatura chegam próximos aos R$ 10 mil, de acordo com a Comissão feita para criar o novo formato. Mesmo sendo mais barato, a estudante conta que há casos de colegas que não conseguiram realizar a solenidade por questões financeiras e farão apenas a formatura interna.

Os custeios devem vir todos da própria UFPel, já que não há verbas específicas do governo federal para isso. A Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento (Proplan) ficará responsável por gerir esse fator. Apesar das dificuldades financeiras da universidade, Lúcia Maria não crê que isso venha a ser um problema, já que, uma vez que o novo formato seja institucionalizado, será possível trabalhar o planejamento do orçamento com isso incluso.

Produção e realização - Saiba mais

- Atualmente as produtoras são escolhidas pelas turmas e coordenam todo o processo. Um dos focos da mudança, é justamente diminuir o poder delas, e devolvê-lo para a universidade fazer de acordo com seu regimento interno.

- Para as graduações, serão licitadas produtoras que terão como função organizar a solenidade, dentro dos padrões impostos pela instituição e fornecerá togas e materiais necessários para a realização.

- Fotos, quadros e vídeos da solenidade não serão feitos pela instituição. O aluno terá a possibilidade de contratar, e um espaço será destinado para a alocação de fotógrafos e equipes. Outro ponto dentro dessa questão é a ideia de fazer transmissões ao vivo - tal como a Furg - e criar um espaço on-line de compartilhamento de fotos da solenidade.

- Ao contrário do que ocorre atualmente, a entrega dos diplomas será feita pelos professores e representantes da universidade e não mais por pais ou outras pessoas indicadas pelos formandos. Os motivos, segundo Lúcia Maria, são a diminuição de tempo da solenidade e a valorização do trabalho do professor na formação do aluno.

- Outra mudança que a gestão planeja é fazer a entrega do diploma de formado durante o ato solene, e não meses depois do fim do curso, como ocorre atualmente, para dar mais praticidade e diminuir o processo burocrático que envolve a culminância da graduação.

Faem
O auditório da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, no Campus Capão do Leão, já sedia algumas formaturas da universidade. No entanto, o espaço é pequeno, já que é capaz para no máximo 20 formandos por vez, o que impede que o auditório se torne o local oficial das formaturas da UFPel. A técnica-administrativa, Jerusa Michel, diz que o espaço funciona bem, e possui normativas que deverão servir como base no novo formato.


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