Discussão

Rodoviários aguardam a definição da nova tarifa

Trabalhadores buscam 6% de ganho real e a reposição inflacionária dos últimos 12 meses

07 de Novembro de 2017 - 10h00 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Em vigor. Valor atual do transporte urbano é R$ 3,25 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Em vigor. Valor atual do transporte urbano é R$ 3,25 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Deve ser definido na próxima semana o valor da tarifa que começará a valer a partir de dezembro para os ônibus na zona urbana. O anúncio ainda não foi feito porque a prefeitura aguarda a publicação oficial dos índices econômicos que devem ser divulgados até sexta-feira e baseiam o cálculo do preço da passagem. Além dos usuários, quem também espera a decisão da administração municipal são os trabalhadores das empresas que fazem parte do Consórcio de Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP).

Desde o final de setembro, quando realizou assembleia, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (STTRP) já tem pronta a sua pauta para a negociação com as empresas. A categoria pretende repor as perdas com a inflação de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) dos últimos 12 meses, que atualmente está em 1,63%, e obter 6% de ganho real. Caso a demanda seja atendida em um possível acordo com empresários, o salário de motoristas passaria de R$ 2.522,96 para R$ 2.715,46 e o de cobradores aumentaria de R$ 1.685,48 para R$ 1.814,08, por exemplo.

“Todas as formalidades já foram feitas. Este ano nos adiantamos para agilizar o processo. Nossa pauta foi encaminhada ao sindicato patronal e fizemos uma tentativa de negociação prévia, mas não recebemos proposta”, aponta o presidente do STTRP, José Inácio de Jesus Lopes. Além do reajuste salarial, os trabalhadores pretendem reduzir a diferença entre o vale-alimentação de motoristas e mecânicos (R$ 260,00) e o dos demais funcionários (entre R$ 144,30 e R$ 253,00) e manter cláusulas sociais já acordadas. Dentre as principais estão o aviso prévio proporcional de cinco dias para cada ano de serviço, hora extra de 100% para domingos, feriados e as que excederem o limite de duas por dia e o pagamento do intervalo fracionado de uma hora.

Apesar de ter conhecimento do pedido dos trabalhadores, o secretário executivo do CTCP aponta a necessidade de conhecimento do aumento da passagem autorizado pela prefeitura antes que os reajustes salariais sejam negociados. No entanto, Enoc Guimarães ressalta que a possibilidade de ganho real para os rodoviários está diretamente ligada ao que será concedido pelo município na passagem. “Isso só vai acontecer se também houver ganho real na tarifa do transporte. Mas essa é uma negociação entre os dois sindicatos, dos trabalhadores e das empresas que formam o consórcio”, diz.

A reportagem tentou conversar com o advogado Aires Martins, que representa o Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Pelotas (SETRP), mas não foi atendida.

Apenas atualização de custos, diz prefeitura
Enquanto o STTRP defende ganho real no reajuste salarial e Guimarães atrela esta possibilidade a uma eventual concessão também ao CTCP, o município nega que este tipo de vantagem possa ser dada ao consórcio.

“Não existe ganho real no preço da passagem. Anualmente é feita apenas uma adequação na tarifa a partir da atualização de custos com combustível, pessoal e a inflação”, detalha Paulo Osório, da Secretaria de Transportes e Trânsito (STT). Segundo ele, no contrato firmado entre prefeitura e CTCP deixou de existir a antiga planilha que era apresentada pelas empresas.

A composição do preço do transporte leva em conta uma fórmula que estabelece como referências o INPC para repor custos com pessoal, o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) para cobrir a inflação do período e o preço médio do diesel de acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para atualizar os gastos de combustível, lubrificantes e pneus.


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