Inclusão

Projeto Olhares Especiais traz a inclusão através da fotografia

Imagens feitas por alunos da escola de inclusão da UFPel estarão no Campus das Artes até a próxima sexta-feira

06 de Novembro de 2017 - 20h30 Corrigir A + A -
Alunos do projeto Olhares Especiais visitam a exposição de suas fotos (Foto: Jô Folha - DP)

Alunos do projeto Olhares Especiais visitam a exposição de suas fotos (Foto: Jô Folha - DP)

Exposição teve início nesta segunda e estará aberta ao público até sexta-feira, das 14 às 22h (Foto: Jô Folha - DP)

Exposição teve início nesta segunda e estará aberta ao público até sexta-feira, das 14 às 22h (Foto: Jô Folha - DP)

Jovens e adultos com os mais diversos tipos de deficiência participaram do projeto (Foto: Jô Folha - DP)

Jovens e adultos com os mais diversos tipos de deficiência participaram do projeto (Foto: Jô Folha - DP)

Captar o mundo pela ótica de jovens e adultos especiais. Essa foi a ideia do projeto Olhares Especiais, incentivado pela escola de inclusão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em parceria com a Associação de Pais e Amigos de Jovens e Adultos com Deficiência (Apajad). Em 2015 o projeto surgiu através de uma oficina orientada pela professora Lorena Almeida Gill e pela aluna do Cinema e Audiovisual, Ane Tchavo, em uma atividade do Programa de Educação Tutorial (PET) Diversidade e Tolerância.

As práticas de fotografia incluíam levar os estudantes ao Campus Anglo da UFPel e ensinar o tema aos dez jovens que participaram do projeto. Segundo Ane Tchavo, a ideia era ensinar o gosto pela câmera e aproximá-los da fotografia. Além disso, cada foto servia para expressar um sentimento. As sete temáticas são O Anglo, O Agradável, O Diferente, O Desconhecido, O Belo, O Desconfortável e O Curioso. Todos a partir da ótica especial dos participantes, que exploravam em duplas o espaço da universidade e então fotografavam o que sua interpretação definia diante da temática abordada.

E o resultado desse projeto é uma exposição de fotos. Localizada no Campus das Artes da UFPel e aberta ao público, ela teve início nesta segunda-feira (6) e vai até a próxima sexta-feira, aberta das 14h às 22h. Nela, algumas das fotos estarão sendo mostradas ao público em painéis e em um telão. Durante a semana integrada da UFPel, de 20 a 24 deste mês, a exposição também ocorrerá. Além disso, um almoço no CTG Thomaz Luiz Osório ocorrerá no dia 26, um domingo.

Evolução
Ane Tchavo conviveu com pessoas especiais durante todo o projeto. Ela conta que a evolução por parte deles foi visível. Se no início a timidez fez com que os alunos ficassem um pouco retraídos, isso logo sumiu. Os tímidos acabaram se soltando, criando uma consciência em torno do ambiente universitário e afinando também a relação com os colegas. E não foram só os alunos que evoluíram durante o projeto. Quem auxiliou, também sentiu as mudanças. "Botar em prática o que você aprende e utilizar isso para um bem maior transforma você", lembra Ane.

Aluno do projeto, Edson da Silva tem 50 anos. Ele já tinha paixão pela fotografia, mas conta que o projeto ajudou a lhe deixar mais confortável e a aprender a utilizar técnicas em suas fotografias. Inclusive continuou fotografando após isso e que não quer nunca mais parar.

Mudanças são sentidas em casa
Maria de Fátima Cunha é mãe de Lorena, de 31 anos. Ela sempre incentivou a filha a gostar de fotografias e o tema ajudou no aumento da percepção de detalhes. A exposição também faz com que a filha veja os resultados do que produziu. A inclusão, no entanto, é o maior avanço sentido. "Eles podem fotografar e fazer o que quiserem, como qualquer jovem."

Natiele tem 23 anos e não participou da iniciativa, mas faz parte da escola. A mãe, Claudete Matozo, conta que a evolução da filha é perceptível. Ela cresceu e amadureceu. Antes, frequentava a Apae, onde a maioria das pessoas são crianças. Agora, ela se reúne com pessoas da idade dela.
As mães contam que os laços de amizade entre os participantes são fortes. Fora do ambiente da escola, eles passeiam e se visitam. Até mesmo elas próprias se unem e ficam próximas.

O projeto
Atendendo pessoas adultas com as mais variadas deficiências, a escola conta com cerca de 30 alunos. Coordenado pelas professoras Lorena Gill, da UFPel, e Marli Resende, voluntária, o projeto de inclusão segue negociando com a UFPel em busca de espaço físico permanente maior e que seja adequado às diferentes patologias atendidas pela escola. São necessárias, no mínimo, duas salas. Marli diz que a expectativa é por um deferimento positivo a esta solicitação.

As atividades desenvolvidas contam com profissionais de diversas áreas. Pedagoga, neuropsicopedagogo, psicóloga e uma monitora de Ensino Médio são alguns dos profissionais que atuam em conjunto com o projeto. "Tudo é mantido com recursos de amigos, assim como todo o material pedagógico e tecnológico", afirma Marli. Contatos para colaborações podem ser feitos pelos telefones 98112-4811, com Marli Resende e 98455-7596, com Maria das Graças Meirelles Veiga. Reservas para o almoço no CTG também poderão ser feitas nesses números.

 


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