Criminalidade

Violência em São José do Norte

Disputa entre organizações criminosas tem elevado os índices criminais na pequena cidade

04 de Novembro de 2017 - 12h36 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Duas organizações criminosas que disputam os pontos de tráfico de drogas em São José do Norte entraram em confronto na madrugada da última quinta-feira, no bairro Veneza. Segundo a Brigada Militar (BM), um grupo que se denomina Primeiro Comando Ferrari (PCF) teria tentado invadir o bairro rival como forma de retaliação à morte de um adolescente que seria integrante do PCF, ocorrida horas antes do ataque, no Cidade Alta. Jonathan Garcia Nogueira, 17, foi morto em via pública. De acordo com a BM, uma casa teria sido incendiada pelos criminosos. A Polícia Civil investiga o caso.

Pelas redes sociais, moradores do Veneza relataram momentos de pânico e o intenso tiroteio que, conforme os relatos, teve mais de 30 disparos. A guerra orquestrada pelo tráfico de drogas tem sido responsável pelo aumento de 266,6% nos crimes de homicídio na cidade de pouco mais de 27 mil habitantes. A morte de Jonathan é a 22ª execução praticada no município, que em todo ano passado registrou seis mortes violentas.

A pequena São José do Norte também vê aumento de 58,1% nos crimes de roubo. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), as ocorrências do delito registradas até agora já ultrapassam o total de 2016: ano passado foram 79 e até setembro de 2017 a SSP aponta 114 casos. Os roubos de veículo também tiveram aumento expressivo já que em 2016 nenhum caso foi contabilizado, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Até setembro deste ano cinco ocorrências de roubo de veículo foram registradas.

Em abril, a prefeita do município, Fabiany Zogby Roig (PSB), decretou situação de emergência na Segurança Pública da cidade. A chefe do Executivo diz que apesar do decreto, nada mudou. "Não consegui nada. Pedi reforços na Polícia Civil e na Brigada Militar mas até agora nada. Na época até que algumas ações foram feitas mas depois sumiram. Vi que tem um civil designado pra cá mas ainda não chegou", disse a prefeita. Em busca de socorro, Fabiany também recorreu à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em Brasília, mas, segundo ela, foi informada de que a Senasp teve o orçamento reduzido e por isso não foi possível o apoio.

Na última terça-feira, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disse que considera a violência causada pela guerra entre as organizações criminosas instaladas em São José do Norte como pontual. A assessoria do secretário Cezar Schirmer disse que apesar dos conflitos não há previsão de reforço no efetivo, uma vez que cidades como Pelotas e Rio Grande possuem maiores necessidades. "A prioridade são os municípios maiores".


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