Agronegócio

Crise ameaça edição 2018 da Feovelha

Evento é o principal do ramo no Brasil e o mais importante para a cidade de Pinheiro Machado

31 de Outubro de 2017 - 09h05 Corrigir A + A -
Cenário. Baixa rentabilidade ano após ano preocupa produtores (Foto: Alexandre Teixeira - Especial - DP).

Cenário. Baixa rentabilidade ano após ano preocupa produtores (Foto: Alexandre Teixeira - Especial - DP).

A principal feira de ovinos do país corre o risco de não ocorrer em 2018. Realizada anualmente em Pinheiro Machado, a 34ª Feira Estadual da Ovelha (Feovelha) sente os efeitos da crise econômica que abalou o Sindicato Rural da cidade, responsável pelo evento. Prefeitura, sindicato e Câmara dos Vereadores se articulam para buscar recursos e não deixar o maior evento do município acabar.

De acordo com Gabriel Camacho, presidente do Sindicato Rural, a Feovelha nunca deu lucro. Nos últimos anos, a situação piorou devido à queda nas vendas promovidas na feira. Entre 2014 e 2017 o valor em negócios diminuiu 66% e o número de animais vendidos caiu 82%. A justificativa pode estar na diminuição do espaço destinado às ovelhas nas propriedades, uma vez que as culturas de soja e eucalipto vêm conquistando este lugar.

A baixa rentabilidade proporcionada pela criação dos animais, atrelada ao abigeato e aos ataques de javalis, também desmotiva o investimento na produção, principalmente nas grandes propriedades. Em análise feita por Mário Alfredo de Lima, presidente do Núcleo de Criadores de Ovinos de Pinheiro Machado, quem ainda mantém os rebanhos são as propriedades familiares. O possível fim do evento preocupa os criadores, que veem nele uma chance de melhorar sua produção e até aumentá-la. A boa genética dos animais vendidos é outro ponto que coloca a feira em destaque nacional, afirma Mário Alfredo.

A possibilidade de a prefeitura contribuir financeiramente com o evento está praticamente descartada. O vice-prefeito Jackson Luiz Cabral explica que nas edições anteriores o papel do município se restringiu a fazer contato com patrocinadores. “Dinheiro da prefeitura nunca teve”, garante. Mesmo agora, com o risco de não acontecer, ele diz que a cidade passa por grave crise financeira e não tem condições de dar aporte ao evento. A solução pode estar em parcerias com o governo do Estado.

A importância da feira para a cidade ultrapassa as propriedades rurais e chegou a ser defendida em sessão ordinária da Câmara pelo vereador Gilson Rodrigues (PT). Segundo o legislador, o evento gera empregos diretos e indiretos, movimentando a rede hoteleira e os setores de alimentação e de combustível. Além disso, tornou a cidade conhecida nacionalmente. “A Feovelha é um patrimônio do município”, avalia.

Possível solução
Uma reunião entre a prefeitura, o Sindicato Rural, a Câmara de Vereadores e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais foi feita no fim da tarde de segunda-feira (30) para debater a questão. Nela, ficou acertada a formação de uma comissão entre os membros dessas entidades para buscar recursos em um prazo de 30 dias. A ideia é realizar apenas a exposição e vendas de animais, sem os festejos que tradicionalmente acompanham o evento.

Confira as vendas das edições anteriores

33ª edição (2017)
Número de animais comercializados: 1.405
Total em comercialização: R$ 570.165,00

32ª edição (2016)
Número de animais comercializados: 2.736
Total em comercialização: R$ 854.425,00

31ª edição (2015)
Número de animais comercializados: 4.444
Total em comercialização: R$ 1.303.360.00

30ª edição (2014)
Número de animais comercializados: 7.965
Total em comercialização: R$ 1.663.615,00


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