Pleito

A um ano das eleições de 2018

Câmara de Vereadores de Pelotas pode ter 10 candidatos a cargos no legislativo estadual e federal

07 de Outubro de 2017 - 07h45 Corrigir A + A -
Escolha: região tem capacidade de ter três deputados federais e sete estaduais, segundo pesquisa do IPO (Foto: Jô Folha - DP)

Escolha: região tem capacidade de ter três deputados federais e sete estaduais, segundo pesquisa do IPO (Foto: Jô Folha - DP)

No dia 7 de outubro de 2018, os eleitores brasileiros voltam a tomar a decisão de escolher seus representantes nos governos estaduais e federais. As votações para deputados, senador, governador e presidente da República devem ser marcadas por um momento de descrença na política, nos partidos e na conjuntura nacional. Pela primeira vez na história desde a redemocratização, Pelotas poderá contar com dois candidatos ao Palácio Piratini: Eduardo Leite (PSDB) e Mateus Bandeira (Novo). A Câmara de Vereadores de Pelotas também pode mudar sua composição: cerca de dez nomes da atual legislatura devem ser candidatos ao Legislativo estadual ou federal.

Segundo a cientista social e política Elis Radman, fundadora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), números de abstenções, nulos e brancos podem alcançar 50% dos votos. "É uma tendência por conta da descrença nos políticos e nos partidos. Devem ganhar espaço o perfil personalista e o clientelismo", prevê. Conforme Elis, cerca de 10% dos entrevistados em pesquisas têm revelado um crescimento na venda de votos, que historicamente vinha num processo contrário a isso.

Histórico na tradição política brasileira, o personalismo deve ser ainda mais fortalecido, o que é visto como negativo pela cientista. "As pessoas vão buscar um salvador da pátria. Num momento que há uma corrupção endêmica, que aparece uma foto de um apartamento com R$ 51 milhões, com serviços públicos de má qualidade", justifica.

Ao tratar sobre os possíveis pelotenses que vão concorrer ao Piratini, Elis lembra que isto é uma novidade desde a redemocratização. Desde a década de 1980, se alternam no governo estadual políticos da Serra e da Região Metropolitana de Porto Alegre, lembra. Sobre a representatividade da região no cenário tanto estadual quanto nacional, a cientista lembra da importância que estes espaços sejam ocupados por políticos da região.

"Sem a representatividade, temos menos voz, menos vez e menos trânsito nas decisões políticas", opina. Neste sentido, com políticos da região ocupando estes cargos, aumenta a importância regional dentro dos próprios partidos na tomada de decisão, por exemplo, de verbas de bancada e outras decisões estratégicas.

Representatividade regional
O presidente do PT, Luciano Lima, acredita que a retomada de investimentos na região independe da representação no Congresso. "O tempo que tivemos mais investimentos na região, com a duplicação de rodovias, Polo Naval e energia eólica, foi enquanto tínhamos apenas um nome no Congresso nacional", teoriza. Para Lima, é necessário ter um projeto de desenvolvimento regional, o que estaria fora dos planos do atual governo, com foco nas indústrias de São Paulo. Já o presidente do PP, Érico Ribeiro, crê na aproximação entre eleitor e candidato. "Não adianta o sujeito votar numa pessoa que não tenha nenhum tipo de vínculo para cobrar ações", opina.

União da região
O sentido de unificação das pautas da Zona Sul tem sido difundido pelos movimentos da Aliança Pelotas e Aliança Rio Grande em torno da duplicação da BR-116 e da retomada de investimentos no Polo Naval. A região possui em torno de 650 mil eleitores. Hoje não possui nenhum nome na esfera federal e na Assembleia possui cinco nomes em mandato: Adilson Troca e Pedro Pereira (PSDB), Zé Nunes e Miriam Marroni (PT) e Catarina Paladini (PSB). Fábio Branco (PMDB), que se elegeu deputado estadual, atualmente ocupa o cargo de chefe da Casa Civil do Palácio Piratini.


Capacidade eleitoral da Zona Sul (*)

- 3 deputados federais (média de 105 mil votos)
- 7 deputados estaduais (média de 35 mil votos)

- 30,92% dos eleitores da Azonasul não votaram em nenhum candidato a deputado federal em 2014

(*) Dados do IPO

Prováveis candidatos à Presidência

Lula/Fernando Haddad (PT)
Geraldo Alckmin/João Doria (PSBD)
Jair Bolsonaro (PSC)
Marina Silva (Rede)
Ciro Gomes (PDT)

Prováveis candidatos a governador

José Ivo Sartori (PMDB)
Eduardo Leite (PSDB)
Mateus Bandeira (Novo)
Onyx Lorenzoni (DEM)
Jairo Jorge (PDT)
Roberto Robaina (PSOL)
Miguel Rosseto/Dilma Rousseff (PT)
Luis Carlos Heinze (PP)
Abigail Pereira (PC do B)
Ranolfo Vieira Júnior (PTB)

Candidatos de Pelotas ao Legislativo federal e estadual

PSDB
Partido tem três pré-candidatos: Eduardo Leite, que deve ser candidato a governador, porém ainda não descartou a possibilidade de deputado federal. Outros dois são vereadores: Luiz Henrique Viana, presidente da Câmara, seria candidato ao Congresso Nacional, e Daniel Trzeciak seria à Assembleia Legislativa.

PT
Fernando Marroni deve ser o nome do partido na cidade para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa. Miriam não deve ser candidata a nenhum cargo eletivo nas eleições. Outro nome que pode ser confirmado para a disputa a deputado federal é o de Ivan Duarte (PT).

PMDB
Irajá Rodrigues já é confirmado pelo partido como pré-candidato ao Congresso Nacional. Para a Assembleia, o partido ainda estaria em tratativas. Nos bastidores, especula-se o nome de Jair Seidel, atual secretário de Desenvolvimento Rural de Pelotas.

PP
Partido garante que lançará um candidato. Nomes especulados nos bastidores apontam para Cláudio Fabrício Montanelli, o vereador Roger Ney, o ex-prefeito Adolfo Antônio Fetter Júnior e o ex-vereador Rafael Amaral.

Rede
O nome do partido para Brasília é de Reginaldo Bacci, ex-candidato a prefeito de Pelotas. O jornalista Carlos Machado também pode concorrer à AL.

PDT
Dois vereadores podem fazer a dobradinha: Cristina Oliveira a deputada federal e Marcus Cunha a estadual. Outro nome que tem disponibilidade para concorrer a deputado estadual é o de Antônio Carlos Brod, ex-reitor do IFSul.

PSB
O presidente do diretório municipal, Catarina Paladini, vai à reeleição a deputado estadual. Nomes sondados para federal seriam de Daiane Dias, Toninho Peres e Tony Sechi.

PTB
O partido deve lançar o vereador Anderson Garcia a deputado estadual e apoiar Ronaldo Santini a federal.

PSD
O vereador Fabrício Tavares é cogitado a deputado estadual.

PSOL
Jurandir Silva afirma que será candidato à Assembleia em 2018. Para o Congresso, são cogitados os nomes da vereadora Fernanda Miranda, de Luan Badia e Daniela Brizolara.

PRB
O vereador Waldomiro Lima confirma sua candidatura a deputado estadual.

Avante
O ex-candidato a prefeito Flávio de Souza será candidato a deputado federal.

Partido Novo
Mariane Oliveira será candidata a deputada federal. O pelotense Mateus Bandeira é o nome do partido ao Palácio Piratini.

Patriotas
Marco Marchand será o nome do partido ao Congresso Nacional.

A culpa é de todos! (Por: José Ricardo Castro)

Com o título acima pode ser definida a situação de penúria parlamentar que a Zona Sul vem vivendo por sucessivas eleições. A cada quatro anos, nas eleições para deputados federais e estaduais, o assunto é o mesmo, a discussão se repete e nada muda.

A culpa é de todos porque, de acordo com o IBGE, a Zona Sul do Estado, com seus 23 municípios, em tese, possui potencial para eleger entre 3 e 5 deputados federais e entre 6 e 10 deputados estaduais. E o que temos hoje? Com todo o respeito aos eleitos em 2014.

Se a culpa é de todos, comecemos pelos partidos que não entendem - ou não querem - priorizar nomes potencialmente fortes, capazes de receberem os votos necessários para assegurar o mandato. As divisões internas apresentam nomes que nem para síndico de prédio teriam voto. Mas concorrem e depois querem cargos nos governos eleitos. Sua cota de sacrifício pelo partido foi dada.

Ladainha barata. Primeiro, impediram a eleição do nome mais forte. Isto já aconteceu em Pelotas. Segundo, dividem as opções do eleitor e, terceiro, favorecem os que já detêm mandatos e com assessores pagos na região.

Mais uma eleição se aproxima. Com ela, a conversa de muitos e muitos anos em torno da importância de elegermos representantes da região. Hoje, a busca de recursos para a BR-116, Contorno de Pelotas e outros projetos, são exemplos desta falta de representatividade. Pode mudar? Pode. É só todos quererem.


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