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Gás de cozinha e gasolina ainda mais caros

Gás de uso residencial sofre aumento de 12,2%; gasolina, que teve baixa anunciada, ainda é vendida por preços altos em Pelotas.

06 de Setembro de 2017 - 20h43 Corrigir A + A -
Em alguns locais os comerciantes - ligeiros que só eles - já cobram dos consumidores no preço do reajuste (Foto: Paulo Rossi - DP)

Em alguns locais os comerciantes - ligeiros que só eles - já cobram dos consumidores no preço do reajuste (Foto: Paulo Rossi - DP)

O gás de cozinha ficará mais caro novamente, após reajuste de 12,2% anunciado pela Petrobras. Em março e junho deste ano o botijão de 13 quilos, utilizado em residências, já registrava alta. De acordo com a estatal, o novo aumento é devido aos estoques baixos e ao furação Harvey, que passou em uma região dos Estados Unidos considerada a maior exportadora do gás liquefeito de petróleo (GLP), e, consequentemente, afeta o cenário aqui. Para o consumidor, o acréscimo deve ser de R$ 2,44 por botijão. A Petrobras prevê nova avaliação do mercado no dia 21.

Em uma empresa de fornecimento de gás em Pelotas, na rua General Teles, a previsão é de que o reajuste chegue só na próxima segunda-feira. Atualmente o local cobra R$ 60,00 pelo botijão. Em outro estabelecimento, na avenida Duque de Caxias, Fragata, o aumento já foi repassado para a público. Foi de R$ 62,00 o valor da tele-entrega para R$ 65,00. O consumidor ainda consegue economizar um pouco caso buscar direto na revenda, pagando R$ 55,00.

Em mais um local, na avenida Juscelino Kubitschek, o preço também já foi alterado. Antes R$ 60,00, agora R$ 68,00. João Roxxley Britto, funcionário do estabelecimento, acha barato. "Tem lugares que fazem por R$ 75,00", diz, comentando que já espera reclamações do consumidor. O GLP industrial, indicado para uso comercial, também teve valor reajustado em 2,5% nas distribuidoras.

Quem depende do produto para alimentar a família ou sustentar um negócio se assusta. E com razão. Em 2013, o botijão ainda poderia ser considerado barato se comparado ao preço atual: passava de R$ 42,00 para R$ 45,00, segundo edição do Diário Popular de 4 de setembro daquele ano. Há cinco anos, custava R$ 40,00. Cláudia da Rosa, 50, cozinheira e mãe de dois filhos, relembra de quando costumava pagar esses valores. Atualmente, desembolsa R$ 60,00 para cozinhar para a família.

Ela é funcionária de um restaurante da rua Anchieta, que acompanha de perto a constante inflação do preço do gás industrial. A proprietária Rosângela Macedo conta que dois meses atrás pagou R$ 190,00 pelo gás de 45 quilos. Na última compra, o produto foi para R$ 248,00. Ela fala que não pode repassar os aumentos ao consumidor final. "Não dá pra mudar o preço do cardápio o tempo todo. É uma corrente, tá tudo só elevando", diz, descrevendo as medidas que toma para economizar: "Pra comprar os ingredientes procuro o preço menor. Não estocar ingrediente também, diminuir os desperdícios. Reformas no restaurante nem pensar".

Gasolina
A Petrobras também anunciou nesta quarta-feira queda de 3,8% para a gasolina, calculada sobre o valor vendido às distribuidoras. Já o óleo diesel teve aumento de 0,7%, parte da política de preços instituída pela estatal em junho, que prevê oscilações quase diárias. É a primeira queda da gasolina após quatro altas consecutivas neste ano - no entanto, o motorista ainda não tem motivos para comemorar. Nos postos de Pelotas, o reajuste fez o trajeto contrário: subiu na maioria dos postos dos pesquisados pela reportagem, com valores acima de R$ 4,15 por litro.

Um posto de combustíveis na rua Tiradentes, Centro, reajustou o valor no dia 5, passando de R$ 4,15 para R$ 4,17 - quantia que vale somente para pagamento à vista -, no cartão de crédito salta para R$ 4,29. Em outra abastecedora, na rua Almirante Barroso, o preço é ainda mais salgado: R$ 4,39 o litro da gasolina comum, R$ 4,49 aditivada. O funcionário César Tessmann diz que, apesar da alta, a demanda continua a mesma. O detalhe é que, desde o último grande reajuste, no final de julho, o frentista passou a ouvir muitas reclamações de quem abastece. "O pessoal também bota menos gasolina. Antes botava 50 litros, hoje pede 20, 30... Pesquisa mais também, pra ver o menor preço", afirma.

As constantes variações no preço - majoritariamente para mais - afetam também o produtor agrícola. Edson Grupelli, produtor de 56 anos, recorreu ao Jornal para protestar sobre a alta enquanto abastecia. Devido ao trabalho, depende do combustível tanto para o carro quanto para as máquinas agrícolas, que usam diesel. "Os caminhoneiros fizeram greve, não adiantou. Na lavoura também aumentou o custo. O produtor paga a conta porque a lavoura depende disso", manifesta.


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