Pessoas que caminhavam na área central observaram a mobilização (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Pessoas que caminhavam na área central observaram a mobilização (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Manifestantes gritaram contra a Medida Provisória (MP) 746  (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Manifestantes gritaram contra a Medida Provisória (MP) 746 (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Protesto

Luto contra a Reforma do Ensino Médio

Professores, servidores e estudantes do Centro de Artes foram às ruas em repúdio pela proposta do Governo Temer que retira a obrigatoriedade de Arte dos currículos

07 de Dezembro de 2016 - 19h25 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Pessoas que caminhavam na área central observaram a mobilização (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Pessoas que caminhavam na área central observaram a mobilização (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Manifestantes gritaram contra a Medida Provisória (MP) 746  (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

Manifestantes gritaram contra a Medida Provisória (MP) 746 (Foto: Jerônimo Gonzalez - DP)

O sentimento era apenas um. De luto. Professores, servidores e estudantes do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foram às ruas, nesta quarta-feira, em protesto contra a Reforma do Ensino Médio, defendida pelo governo de Michel Temer (PMDB). E, para gritar contra a PEC 746, que retira a obrigatoriedade de Arte dos currículos, a estratégia foi o silêncio. Com rostos pintados de branco, bocas tapadas e um grande pano preto, eles criaram um cortejo fúnebre pela área central.

E para chamar ainda mais a atenção, cartazes, a marcação grave e monótona de três bumbos e um forte recado: Lutar pelo futuro também é ensinar. Era uma das tantas frases que ganhou eco na manhã desta quarta-feira. "Buscamos uma metáfora ao fato de estarmos sendo calados. Essa MP tira da gente o sentido do trabalho e abre espaço para o vazio e a insegurança", resume o professor José Luiz de Pellegrin. Uma medida que tende a impactar, inclusive, na formação de futuros profissionais, que enxergam turvas as possibilidades de atuação que teriam a conquistar.

Para espalhar o alerta, portanto, professores, servidores e alunos usaram a própria arte para definir o roteiro a ser percorrido e entregar material informativo à comunidade. O manifesto começou, às 10h, na antiga Escola de Belas Artes - na Marechal Floriano com Santa Tecla -, parou no Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (Malg), passou pelo chafariz das Três Meninas (no calçadão) e se concentrou na esquina do Café Aquários. Dali, o trajeto contou com atos em frente ao Conservatório de Música, na Esplanada do Theatro Sete de Abril, na prefeitura e, para encerrar, o pano preto foi estendido, mais uma vez, junto ao prédio do Lyceu Rio-Grandense; de frente ao Mercado Central. Todos símbolos da cultura, da educação, da arte e do patrimônio.
Às 11h15min, uma salva de palmas - como nos palcos, tablados, picadeiros e ruas - quebrava o silêncio. Retumbava o repúdio à Reforma do Ensino Médio.

Confira trecho da nota de repúdio 
(...) Num país continental como o Brasil, de enormes riquezas e variação cultural, a escola ainda é a ponte possível para nosso próprio conhecimento, e o mundo como um todo, através da Arte e da Cultura. Esta MP retira de cada futuro cidadão importante reserva quanto à reflexão crítica e sensível, com a qual também é possível transformar a realidade (...)

Relembre
A Reforma do Ensino Médio ainda depende de análise dos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na última semana, entretanto, a Comissão mista do Congresso Nacional aprovou o relatório apresentado pelo senador Pedro Chaves (PSC-MS), ao conceder 16 votos favoráveis e 5 contrários. Artes e Educação Física voltaram a ser obrigatórias através das alterações e a inclusão, parcial ou na íntegra, de 147 emendas - de um total de 567 protocoladas. Já as disciplinas de Sociologia e Filosofia também poderão fazer parte da lista, mas a decisão deverá ficar nas mãos do Conselho Nacional de Educação. Agora, resta saber como ficará a versão final da MP 746, após apreciação em plenário.

O texto ainda está longe de atender às reivindicações dos movimentos sociais que se espalham pelo país. Uma das principais críticas se dá, inclusive, pela escolha do Governo Temer de a reformulação ocorrer através de Medida Provisória, às pressas, e sem debate prévio com a comunidade escolar: especialistas, professores, funcionários, pais e alunos.


Serviço
O quê: Fórum de Interdisciplinaridades. 
Quando: Nesta quinta e sexta-feira.
Onde: Auditório 1 do Centro de Artes da UFPel.
Uma das principais reflexões: Palestra da professora Denise Coutinho, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), nesta quinta-feira às 10h.


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