Polêmica

Alunos de Medicina apresentam recurso

Os 24 universitários investigados por fraude nas vagas para cotistas entregaram documentos à UFPel

16 de Novembro de 2016 - 22h00 Corrigir A + A -

Acusados de cometerem fraude no sistema de cotas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os 24 estudantes de Medicina denunciados entraram com recurso de defesa à Comissão de Avaliação da Declaração de Etnia da instituição.

A partir de agora, a comissão fará nova avaliação individual sobre a documentação entregue nesta quarta-feira (16), além de analisar outros aspectos. Os resultados devem chegar ao reitor Mauro Del Pino em dezembro.

A investigação é realizada conforme a Portaria 1.418, de 18 de outubro de 2016, que constituiu a Comissão de Avaliação da Declaração de Etnia específica para alunos de Medicina. As características étnico-raciais são analisadas pelo despacho do Ministério Público Federal (MPF), que diz: “o critério a ser levado em consideração é o fenotípico, não carecendo de relevância, portanto, argumentos quanto à raça dos ascendentes para fins de beneficiamento com a política de cotas. Vale dizer, o candidato fluirá do benefício se apresentar, em seu fenótipo, traços característicos que permitam concluir pelo pertencimento à raça declarada”. A maioria dos investigados se autodeclarou parda.

O grupo de avaliação é composto por 12 pessoas, entre professores da UFPel e vinculados ao Movimento Negro, divididas em três bancadas. “Tendo em vista o grande número de recursos, levaremos de duas a três semanas para concluir o trabalho”, estima o coordenador de Ações Afirmativas da UFPel, Rogério Reus Gonçalves da Rosa. O movimento seguinte será enviar as decisões à reitoria - o futuro de cada um, dentro ou fora da Universidade, dependerá deste entendimento. Dos 24 acadêmicos acusados de fraude, apenas um é menor de idade. As matrículas investigadas são referentes ao primeiro semestre de 2013 e de 2016.

Quem integra a comissão
Rogério Reus Gonçalves da Rosa, presidente (Coordenação de Ações Afirmativa e Políticas Estudantis/UFPel);
Alessandra Gasparotto (Licenciatura em História, Laboratório de Ensino de História/UFPel)
Aline Nunes da Cunha de Medeiros (Pró-Reitoria de Graduação/UFPel)
Antônio Carlos Pinto Rosa (especialista em Educação e Comissão de Direitos Humanos da Subseção da OAB de Pelotas)
Carla Silva de Ávila (Coletivo de Professores Negros de Pelotas e Universidade Católica de Pelotas)
Cátia Simone Ribeiro Barcellos (mestre em Educação e professora da rede municipal)
Fábio Santos Gonçalves (Conselho da Comunidade Negra de Pelotas)
Georgina Helena Lima Nunes (chefe do Núcleo de Ações Afirmativas e Diversidade/UFPel)
Helenira Brasil Dias (professora da rede estadual e Secretaria de Cultura de Pelotas)
Mário Renato de Azevedo Júnior (Escola Superior de Educação Física/UFPel)
Marcus Vinicius Spolle (professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e graduação em Ciências Sociais/IFISP)
Mirian Pereira Boher (Núcleo de Acessibilidade e Inclusão/UFPel)


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