Pelotas tem mais de dois mil casos de violência doméstica registrados só em 2016, até o mês de julho (Foto: Gustavo Mansur)

Pelotas tem mais de dois mil casos de violência doméstica registrados só em 2016, até o mês de julho (Foto: Gustavo Mansur)

Estatística

Pelotas é a quarta cidade no Estado em casos de violência doméstica

Até julho deste ano foram 2.180 processos na Comarca; município fica atrás apenas de Porto Alegre, Gravataí e Caxias do Sul

24 de Agosto de 2016 - 17h59 Corrigir A + A -

Por: Giulliane Viêgas
giulliane.viegas@diariopopular.com.br

Pelotas tem mais de dois mil casos de violência doméstica registrados só em 2016, até o mês de julho (Foto: Gustavo Mansur)

Pelotas tem mais de dois mil casos de violência doméstica registrados só em 2016, até o mês de julho (Foto: Gustavo Mansur)

Um levantamento do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), com base nos processos da Lei Maria da Penha, aponta Pelotas como a quarta cidade - numa lista de 17 municípios - com maior número de processos de violência doméstica tramitando na comarca. Até julho deste ano, foram 2.180 casos. A cidade fica atrás apenas de Porto Alegre, Gravataí e Caxias do Sul. Na Justiça gaúcha, tramitam mais de 66 mil processos que apuram crimes de violência doméstica e familiar - 15 mil a mais do que no ano passado.

Os dados do TJ apontam ainda que a Princesa do Sul está entre as 11 cidades que mais solicitaram medidas protetivas, que vão desde a proibição de aproximação da vítima, de contato com ela, afastamento do lar, restrição ou suspensão de visita aos filhos. Até o sétimo mês de 2016, foram 1.116 pedidos. Cerca de 159 solicitações mensais. 

Além disso, correm na Comarca de Pelotas 22 processos de feminicídio. O número fica abaixo de Caxias do Sul (34) e Porto Alegre (33), deixando o município na terceira posição no ranking das cidades que mais mataram mulheres no Estado desde que a lei do feminicídio entrou em vigor. No Tribunal de Justiça do RS, tramitam 565 casos assassinato de mulheres. 

Embora nos últimos 12 meses tenham sido despachadas 103 mil sentenças, conforme aponta o TJ, ainda há um número alto de mulheres que, mesmo após denúncia, deixam de representar seus agressores. "Envolve dependência emocional, financeira e diversos sentimentos que fazem com que a vítima acredite que ela tenha 'merecido' aquilo. O importante é que a mulher denuncie, procure uma rede de proteção para que possa recomeçar uma vida nova", avalia a titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), Maria Angélica Gentilini. "É preciso quebrar o silêncio e não ter vergonha de denunciar", finaliza. 

Até o mês de julho, 1.652 mulheres procuraram a Deam de Pelotas para denunciar violência doméstica.


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