O magistrado foi professor em mais de 15 universidades e ofereceu grande contribuição para o Direito Trabalhista do país

O magistrado foi professor em mais de 15 universidades e ofereceu grande contribuição para o Direito Trabalhista do país

Legado

Cinco anos sem Mozart Russomano

Pelotense deixou um importante legado no campo jurídico nacional e internacional

17 de Outubro de 2015 - 09h45 Corrigir A + A -

Por: Tânia Cabistany
taniac@diariopopular.com.br 

O magistrado foi professor em mais de 15 universidades e ofereceu grande contribuição para o Direito Trabalhista do país

O magistrado foi professor em mais de 15 universidades e ofereceu grande contribuição para o Direito Trabalhista do país

Este sábado (17) marca a data de falecimento do jurista pelotense de renome nacional e internacional, Mozart Victor Russomano, em decorrência de uma isquemia, aos 88 anos. Ministro vitalício e presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), corregedor geral da Justiça do Trabalho, juiz-presidente e fundador da Junta de Conciliação e Julgamento, hoje 1ª Vara do Trabalho de Pelotas, foi também presidente-fundador do Tribunal Administrativo da Organização dos Estados Americanos, em Washington.

Dono de um currículo imenso, do tamanho de sua importância para Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil e o mundo, Russomano foi juiz do Tribunal Administrativo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e presidente do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho em Genebra, professor catedrático jubilado de Direito do Trabalho e Seguridade Social, professor titular da Universidade de Brasília, doutor em Direito do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre outros tantos cargos e títulos, além de autor de várias obras nas áreas do Direito Trabalhista e Previdenciário.

“A contribuição do ministro Mozart Victor Russomano para o Direito Trabalhista foi e é inestimável. Notável magistrado, ocupou em duas oportunidades a presidência do Tribunal Superior do Trabalho e em seu riquíssimo currículo destacamos ter sido professor em mais de 15 universidades nacionais e internacionais, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Bordeaux e representante do Brasil na Organização Internacional do Trabalho”, enfatiza o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Pelotas, Luís Antônio Jesus de Carvalho.

Como doutrinador, Russomano deixou inúmeras obras científicas sobre Direito do Trabalho e Direito Previdenciário, obras indispensáveis nas bibliotecas de todas universidades brasileiras, acrescenta Carvalho. Segundo ele, embora todo o reconhecimento nacional e internacional, o ministro não esqueceu de sua terra natal e foi o fundador da 1ª Vara Trabalhista de Pelotas e Professor Emérito da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). “Seu brilhantismo e inegável contribuição intelectual em diversos campos do saber vinham acompanhados de um ser humano simples e bondoso, respeitado e querido por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo”, completa.

Para o diretor da Faculdade de Direito da UFPel, Alexandre Gastal, o ministro Mozart Russomano foi uma figura emblemática na história do Direito do Trabalho brasileiro, na história de Pelotas e, mais especialmente, na história da Faculdade de Direito. “Por força da importância da sua obra e da honradez com que exerceu as importantes funções que exerceu no cenário jurídico do país, foi um dos maiores responsáveis pelo bom conceito e pela tradição da nossa Faculdade de Direito”, afirma.

A filha Mônica Russomano, que tinha no pai seu maior amigo, diz que falar dele é uma “tarefa” absurdamente fácil, só dificultada pela escolha a ser feita entre tantas recordações. “E acabei resolvendo que o melhor é falar de aspectos talvez não tão conhecidos, mesmo pelos pelotenses, sobre ele. Meu pai nasceu Mozart Russomano: trocou de nome já adolescente, depois que seu pai, doutor Victor Russomano, médico obstetra, bacharel em Direito, deputado estadual e depois deputado federal, além de Constituinte de 1934, faleceu repentinamente. Ele foi o modelo de Mozart Victor Russomano. Para entender um, é preciso lembrar o outro”, frisa.

E continua: “Quando o seu pai faleceu, Mozart Victor tinha apenas 15 anos, completados menos de três meses antes. A família estava em Pelotas, escutando o discurso pelo rádio. Foi assim que souberam do ocorrido. E foi assim que o menino Mozart virou o homem Mozart Victor no ato. Estou certa de que meu pai nunca se recuperou desse golpe. Falava de seu pai com reverência. Até morrer, ao escrever sobre ele, usava sempre a palavra ‘Pai’ com P maiúsculo. Mozart Victor Russomano também foi um homem ímpar. E que esteve à altura do pai. Cinco anos se passaram de sua partida. Cinco anos de saudades”, conclui.

Monumento na praça
Por iniciativa da professora Loiva Hartmann, a Câmara de Vereadores de Pelotas aprovou lei assinada pelo presidente da casa, Ademar Ornel, que autoriza o município a erguer um monumento em homenagem a Mozart Russomano na praça Coronel Pedro Osório. “Será a primeira grande homenagem póstuma significativa prestada a ele”, ressalta Loiva.


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