Análise

Finaleira eleitoral e depois?

24 de Outubro de 2014 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Márcio Ezequiel - Historiador e escritor - www.marcioezequiel.com.br

Saideira das eleições mais agitadas dos últimos anos na semana que finda. Muitos estão certos do resultado que nos espera no domingo. Tendo em vista as surpresas do primeiro turno tanto lá, quanto aqui, eu não arriscaria qualquer prognóstico categórico. Não seria prudente e talvez nem pertinente a estas baixezas do campeonato. Fazer agora defesas ensandecidas não angariaria um voto sequer para qualquer candidato. Pesquisas não devem ser levadas em conta, tampouco. Sempre achei que servem mais de berrante para conduzir o voto bovino do que de instrumento legítimo de aferição, veja bem, do instrumento legítimo de aferição chamado voto. Talvez o último debate logo mais ainda ajude, sem consequências maiores, algum indeciso a tomar partido. Muitos de coração partido, lembrando Cazuza.

Segunda-feira será amarga para uma parte do eleitorado. Em um mês no máximo sara e a partir de janeiro começam as novas administrações. As redes sociais virarão a página. Fotos de gatinhos brincando com pintinhos ganharão curtidas mil. A polarização que atingiu em cheio os relacionamentos virtuais serão esquecidas. Eu fiz uma limpa no face. Foi tri bom, embora um erro. Nos últimos dias praticamente cessaram as contestações. A sensação passou a ser de que escrevíamos uns para os outros de mesma posição política. Separamo-nos em torcidas e nos isolamos. Cindimos o ciberespaço. Por outro lado, isto é justamente o que define o conceito de partido político, um grupo associado que representa uma parte da sociedade. Aliás, não se deve prescindir dos partidos. Nem sou louco de sugerir filiação de carteirinha. Nunca o fiz, embora tenha militado com bandeira de pano em punho. Mas o discurso apartidário que muitos adotaram, inclusive com reflexo nas campanhas (pasmo), não leva senão à alienação de projetos e ideologias partidárias. Entenda-se ideologia aqui como um conjunto de ideias e proposições, o chamado programa de governo, que também muitos ficaram devendo nesta eleição. Acho que errou o Sartori com o slogan "meu partido é o Rio Grande", assim como errou Tarso que, no início do segundo turno, excluiu a estrela do PT das propagandas. O argumento de que se vota na pessoa e não no partido tampouco funciona. Olívio e Ana Amélia perderam assim. O que levou o Senador Lasier (ai, ai) a vencer foi um misto de voto pessoal ao comunicador com o ranço antipetista, portanto um posicionamento partidário, às avessas claro. Importaria então no exercício pleno da cidadania que se escolhesse o projeto que deseja e não simplesmente ser do contra.

Uma coisa que ficou clara e que une todas as demandas do eleitor é o desejo de mudança. Muda ou muda mais, mostra que as pessoas querem melhorias. Excetuando os liberais ilustrados, para quem mudança significa crescimento econômico acima de tudo, gerando lucros e especulação financeira, entendo que quem deseja mudança queira serviços públicos de qualidade e bem-estar. Mais educação, cultura, saúde, justiça social, emprego etc. E é isso que deverá ser cobrado com energia e organização a partir da posse dos novos governantes. Mas antes teremos que aprender a debater a política de modo civilizado e constante e não somente nas eleições para que possamos saber o que exigir dos chefes de Estado.

 


Comentários


  • Não há comentários, seja o primeiro a comentar!

Diário Popular - Todos os direitos reservados