Análise

Pra não dizer que eu não falei de... salsichas

17 de Outubro de 2014 - 05h00 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Márcio Ezequiel - Historiador e escritor - www.marcioezequiel.com.br

Olho para um lado, para o outro. Para frente, para trás. Estou em busca de outro assunto. Flores, citações, música. Paul McCartney tá vindo de novo ao Brasil, sabia? Qualquer coisa serve. O brasileirão... Que chuvarada ontem, né? Não tem jeito. Não consigo tratar de outro tema. As eleições estão às portas. Estaremos apontando com o dedo na urna os caminhos do Brasil, não apenas nos próximos quatro anos, pois políticas administrativas econômicas, fiscais, educacionais, sociais têm efeitos mais duradouros que os novos mandatos. Preciso ser forte. Nada de proselitismos políticos. O cronista Xico Sá foi "saído" da Folha por manifestar seu voto em um texto que acabou censurado (pode isso, Arnaldo?), diz que pode e a regra é clara naquele jornal. Óbvio que nesta página de opinião aqui, é outro papo. Aliás, ofereceu-se que publicasse a tal crônica vetada em espaço correlato daquele periódico, o que negou, considerando território de forasteiros.

Bueno, tangenciando logo o assunto, uma das questões que tem chamado minha atenção nos debates é a percepção do tempo pelos candidatos. Não me refiro às condições meteorológicas tão assíduas nos colóquios de elevador. Falo sobre o tratamento dado ao contínuo temporal entre um instante e outro. Sobre passado, presente e futuro.

A ideia propugnada por certos presidenciáveis e mesmo a pretendentes ao governo dos estados, de que não se deva olhar para o passado, somente para o futuro, é muito simplória ou até oportunista. O processo histórico deve ser constantemente revisitado, não apenas a partir das memórias pessoais, mas por meio da busca da informação e do estudo. Isto permite compreender melhor o presente, tornando mais embasadas as escolhas para o futuro. A biografia dos candidatos, assim como o legado de seus partidos, quando no exercício do poder em outras gestões, devem ser objeto de exame como se fossem um currículo para uma vaga de emprego. Prometer uma chuva de rosas é fácil. Olhar o espinho de caminhadas passadas no garrão é que são outras léguas submarinas. Vixi, cada metáfora. Debaixo do bem e do mal, nem tudo são flores.

Note que mesmo nos debates, no curtíssimo prazo, percebem-se dificuldades temporais. Os concorrentes no transcorrer de suas argumentações não sabem administrar o tempo estipulado pelos organizadores. Como não entendem que têm até xis minutos para fazer sua pergunta, acabam inserindo comentários durante o questionamento, muitas vezes sobrando pouco tempo para a indagação em si. Isso quando não resta de tal forma truncada, que não permita uma resposta coerente. Em contrapartida, a fim de rebater às diversas provocações que vêm embutidas na questão, acabam saindo, estrategicamente ou não, do assunto indagado. Aproveito a oportunidade, inclusive, para dizer que eu não gosto muito do termo embutido, porque lembra salsicha e tem aquela frase atribuída ao unificador alemão, Otto von Bismarck, que teria dito (tanto faz) que se soubéssemos como são feitas as leis (leia-se política) e as salsichas, não as engoliríamos. E, leitor, faz mais de três anos que eu só como salsicha de soja, o que pode ser facilmente verificado. Por fim, tenho os dados aqui, de acordo com Sir James Paul McCartney, se os abatedouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Chove amanhã?

 

 


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