Análise

Tempestade ameixa

01 de Agosto de 2014 - 08h16 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Márcio Ezequiel - Historiador e escritor - www.marcioezequiel.com.br

É tanta coisa louca nesse mundo. Nem sei o que dizer ou escrever. Talvez devesse provocar um brainstorm individual ou um bate-bola mental pra buscar algo inédito. Meu cérebro tá atrofiando. Virou uma ameixa seca. Assim passado. Cansado daquela velha opinião formada sobre ter uma metamorfose ambulante sobre tudo. Eu não uso óculos escuro. Nem colírio. Cansa a vista. Nunca tive vocação pra dono da verdade. No jogo da consequência, fico no meio do campo, vendo os donos da bola partirem. Sou o bobo na colina com sorriso tolo que nunca mostra sentimentos. E o mundo girando.

Estou triste, tão triste tipo Caetano cantando aquela música no Guarany, sob uma luz fria, sobre porque existe o que quer que seja. And always have the blues, a little. E outro parquinho de não diversões foi pelos ares em Gaza. É a glória do amor. Tudo tão longe. E por aqui, tão perto, alguns presos pegos postando no face que sentiam saudades de seus filhos e mães. Isso é muito triste e será que existe uma razão pra deixar sentimentos presos? A pena é a pior das penas.

Aqui se faz e se paga pelo quê? Alguém sempre partindo. A luz ainda está acesa? O Suassuna foi ter com Nossa Senhora e com Jesus negão. Talvez eu desista de dizer tudo o que nunca disse antes. Sinto o peito vazio. Será mesmo que podemos ser perdoados? Nem sei o que dizer. Vai passar. Toda tempestade passa. Ping-pong:

Uma música? Fool on the hill.

Comida? Qualquer uma. Nada de origem animal.

Um artista? Toulouse-Lautrec, que nem sei quem sou.

Um livro? Em busca do tempo perdido, de Proust.

Leu? Não.

Blues ou jazz? Depende... Os dois. Mississipi e New Orleans.

Um filme? Annie Hall, sem pipocas.

Bossa nova? Pergunta pro Caetano.

Filhos? Claro. Por que não tê-los?

Educação? Rubem Alves. Agora vai propor reforma de ensino aos anjos caídos e talvez volte para mais algumas palestras.

Reencarnação? Hoje não. Seria demasiadamente humano seguir errando. Digo, eu queria reencarnar no passado. No pós-guerra e ser de maior no maio de 68. E tardes e noites esperando um sinal de que dias melhores viriam.

Cão ou gato? Pra apartamento, melhor gato.

Cor? Álbum branco.

Ceva ou vinho? E pra que mais servira separar verão e inverno?

Coca ou Pepsi? Zero.

Ama ou deixa? Ameixa.


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