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Realidade futura, uma escolha...

24 de Agosto de 2015 - 08h09 0 comentário(s) Corrigir A + A -

Por Neiff Satte Alam - professor

Se analisarmos friamente nossa realidade ambiental, isto é, nosso momento zero, o ponto onde nos encontramos junto ao ecossistema Terra, teremos a perfeita noção de que realidade temos para uma realidade com a qual nos defrontaremos daqui a 50 anos. Considerando que a realidade é um dos casos da possibilidade, que o que chamamos futuro é na verdade o caminho que escolhermos para alterar ou manter a realidade do momento presente fica fácil imaginarmos o que nos espera, que configurações terá a Casa-Terra em um futuro que será alcançado por nossos filhos e netos e que será a herança por nós deixada.

Estudo feito por cientistas ingleses, encomendado pelo governo da Inglaterra, mostra claramente que a economia sofrerá mais se não tratarmos de recuperar hoje o ecossistema do que o que se gastaria para compensar os danos, na maioria irreversíveis, nos próximos trinta anos. Concluíram que os danos à economia serão superiores a 5% do PIB mundial, mas se cuidarem da natureza as despesas de recuperação serão de apenas 1% do PIB mundial, isto é, é antieconômico maltratar a natureza.

Esperamos que esta conclusão não seja tardia demais, que os cálculos estejam certos, daqueles que acham possível reverter os profundos impactos ambientais, pois a outra alternativa é a de que nos espera um futuro dramático. O Brasil, neste quadro, teria um enorme deserto na região onde hoje temos a Floresta Amazônica. Imaginem o Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste brasileiros como seriam!

Lamentamos, no entanto, que apenas verificando os problemas econômicos os governantes do mundo todo estejam a se preocupar com o enorme capital natural que está sendo permanentemente destruído. Não são preocupações com a qualidade de vida das pessoas, mas com os recursos econômicos que se manifestam assustados os dirigentes globais. Acham estes que podem equilibrar o planeta Terra com contabilidade simples de perdas e ganhos de capital, capital criado, que cresce em linha inversa a linha de crescimento negativo do capital natural.

Entram neste contexto de recuperação do capital natural, cuidados com a biodiversidade, mesmo que alguns aleguem que é natural a extinção das espécies, o que em tese não estaria errado se a velocidade e quantidade de espécies extinguindo-se não fosse a índices extremamente elevados o que nos coloca em estado de alerta, não pelos mesmos motivos do governo inglês, mas por entendermos que uma das espécies ameaçada de extinção é a humana.

E por aqui? O que anda acontecendo com nosso ambiente? Fora a autorização de desmatamento seletivo (?) da Floresta Amazônica, as alterações de um bioma natural (capital natural), os campos, por lavouras de árvores (capital criado) e manutenção de todos os meios de liberação de gases poluentes para a atmosfera, tudo parece sob controle. Parece, pois quando as relações entre os diferentes fatores ecológicos, que denominamos clima, começarem a ser alteradas é sinal que aquele futuro, o mais dramático para a espécie humana, está começando a se tornar realidade, isto é, será o presente...


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