Editorial:
No século 20 houve, na Metade Sul do estado, inclusive em Pelotas, dois períodos que têm sido caracterizados pelos economistas como de desindustrialização. O primeiro deles abrange as décadas de 1930 a 1950, após uma fase que se caracterizou pela instalação e desenvolvimento de diversas indústrias, correspondente à passagem do século 19 para o 20. O sul do estado teve, então, alguns dos principais estabelecimentos industriais gaúchos. Por exemplo, metade das fábricas de tecidos do Rio Grande do Sul se localizava nesta região, uma das quais, de grande porte, em Pelotas. Ainda são objeto de polêmica as causas da decadência e, afinal, extinção dessas indústrias.
Esse intrigante problema de desindustrialização precoce da Metade Sul repetiu-se nas três últimas décadas do século 20. O produto industrial de Pelotas, por exemplo, teve, no período, uma queda de 1% ao ano, em média, conforme estudo elaborado pelo Itepa, instituto da UCPel. Entre 1970 e 1990, fecharam muitas fábricas de conserva, setor que começou a se recuperar da crise em meados da década passada. Outro dado que indicaria o declínio é a redução do número de engenhos de arroz; caiu de 27, em 1992, para 15 atualmente. Nesse caso, há diversos fatores determinantes, alguns dos quais não se relacionam com decadência industrial.
Dessa forma, o desenvolvimento do setor industrial da região sofreu mais um processo de “abortamento”. Há necessidade de estudos sobre a história econômica da Metade Sul, especialmente de Pelotas, inclusive para analisar devidamente o referido problema. Identificar suas causas é importante para evitar sua repetição, quando, por exemplo, agora, nos primeiros anos do século 21, começam a ser executados diversos projetos de expansão industrial no sul do estado, como da indústria naval, madeira, vinicultura, desenvolvimento do setor de laticínios, modernização do beneficiamento do arroz, com aumento do valor agregado do produto, ativação de frigoríficos e do segmento da construção civil, incremento das indústrias de confecções e metalúrgica, além de criação de empresas de base tecnológica, que podem contar com apoio de incubadoras, no Cefet, UCPel e UFPel. A região precisa demonstrar ser capaz de sustentar um ciclo duradouro de industrialização. Recursos humanos altamente qualificados, em todos os níveis, Pelotas tem para isso. Faltaria empreendedorismo e aplicação de capital no setor produtivo. São questões que as lideranças locais e regionais devem analisar devidamente. A atração de investimentos de empresas de outras regiões é importante, mas não basta, além de ter o inconveniente de não ficar aqui o lucro obtido. O Produto Interno Bruto de Pelotas (PIB) se mantém estagnado há uma década, já tendo sido superado por dez cidades gaúchas, inclusive Rio Grande.
Ultimamente, tanto os governos federal e estadual como o municipal têm criado diversos incentivos para o desenvolvimento do sul do estado; é importante aproveitá-los, como fazem muitas cidades do Norte do estado com os estímulos que lhe são oferecidos, criando, expandindo e modernizando empresas, sobretudo de base tecnológica. Se não houver uma evolução na matriz econômica de Pelotas, é provável que seu PIB continue estagnado e caindo no ranking estadual. Nada fazer para mudá-lo talvez signifique que problemas sociológicos históricos ainda persistem, o que é preocupante e até raro.
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